Novembro será decisivo para Banco Central

Cláudia Dantas, Jornal do Brasil

RIO - O mês de novembro é decisivo para se fazer uma análise mais criteriosa do comportamento da inflação. Se a pressão sobre os preços persistir, o Banco Central (BC) optará por aumentar a taxa Selic e atingir o centro da meta no fim do ano a tolerância é de 6,5%, dois pontos acima do centro da meta. Com isso, deverá manter a mesma tendência de alta para 2009, em busca da estimativa de 4,5%.

A aposta do professor de Economia do Ibmec-RJ Gilberto Braga é de que o BC aumente a taxa já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Para Braga, se novembro não apresentar desaceleração, a decisão será por elevar a taxa em 0,5 ponto percentual.

Dezembro também pode pressionar a decisão do BC, sobretudo por causa da alta no consumo, que fica mais descontrolado nessa época do ano, além da pressão especulativa do câmbio, o que também traz um risco inflacionário maior ponderou.

Ritmo da atividade econômica

A economista da Tendências Consultoria Marcela Prado compartilha da mesma opinião, e reforça que a crise internacional também pode reverter esse cenário, caso o ritmo da atividade econômica continue em forte queda.

O mercado enxerga uma forte tendência de alta, por causa do câmbio e do impacto nos preços ao consumidor avaliou Marcela. No entanto, nota-se que a demanda interna começa a desacelerar, e o BC não quer contribuir para a inércia da economia em 2009 e se distanciar mais das metas de PIB e inflação já revisadas para baixo.

Para o economista da FGV-RJ Salomão Quadros, hoje o BC "tem um olhar mais apurado, e não deverá ceder às pressões do câmbio, que não serão permanentes", garante. Embora o BC esteja focado em perseguir a meta, Quadros sustenta que o mundo está em recessão e, diante da perspectiva de desaquecimento da economia, o órgão optará por não travar o crescimento. Além disso, o preço do petróleo e outras commodities caíram, o que favorece o controle da inflação.