Commodities garantem alta do Ibovespa

SÃO PAULO, 10 de novembro de 2008 - A forte valorização registrada durante boa parte da sessão perdeu força com a inversão de tendência das bolsas de valores de Wall Street. Ao final dos negócios, o índice acionário da BM&FBovespa marcou leve alta de 0,3%, aos 36.776 pontos. O giro financeiro somou R$ 3,45 bilhões.

O movimento interno, mais uma vez, foi puxado pela alta das commodities no mercado internacional e sua conseqüente influência sobre os principais papéis do Ibovespa: Petrobras (com alta de cerca de 2%) e Vale do Rio do Doce (valorização de 4%). As ações da Gerdau, Gerdau Metais e Usiminas também lideraram os ganhos da bolsa brasileira.

Os setores ligados à matéria-prima também repercutiram o plano de retomada econômica chinesa de US$ 586 bilhões até o fim de 2010 - para estimular a demanda interna diante da desaceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da estagnação das exportações. "O volume do pacote é significativo, mas é difícil dizer se seria suficiente para salvar as principais economias mundiais de uma recessão", afirma Silvio Campos Neto, economista do Banco Schahin.

Porém, o humor em Nova York virou após algumas corretoras divulgarem relatórios indicando piora no cenário da General Motors e Goldman Sachs. "As ações da montadora norte-americana chegaram a recuar 25% nesta segunda-feira. Já os papéis do ex-banco de investimentos atingiram queda de 10%, trazendo junto às ações do Morgan Stanley", ressalta o economista do Banco Schahin.

Mas, durante a sessão, algumas notícias também mereceram destaque. A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou os ratings soberanos de quatro economias emergentes pela Fitch Rating, além de afirmar a nota de outros 13 países e alterar a perspectiva de outros sete. O Brasil teve sua nota afirmada (BBB-) em moeda local e estrangeira, enquanto que a perspectiva para os ratings de longo prazo do país permanece estável.

Já a American Insurance Group (AIG), uma das instituições mais afetadas pela crise do subprime, reportou prejuízo líquido de US$ 24,47 bilhões no terceiro trimestre deste ano. A maior seguradora do mundo solicitou novo empréstimo ao Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), já que o montante de US$ 85 bilhões, concedido em setembro, foi insuficiente. A entidade monetária atendeu o pedido e, juntamente com o Tesouro, anunciou a compra de US$ 40 bilhões em ações preferenciais, recentemente emitidas pela seguradora.

(Vanessa Correia - InvestNews)