PAC ajuda setor de saneamento a voltar depois de anos estagnado

Roberta Scrivano, Jornal do Brasil

SÃO PAULO - Depois de décadas de estagnação, o setor de saneamento básico começa a dar os primeiros passos para sair do marasmo. Segundo especialistas, o novo marco regulatório e recursos garantidos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são os principais responsáveis pela retomada do segmento.

Em 2003, os investimentos em saneamento eram de cerca de R$ 3 bilhões, agora o PAC (anunciado em janeiro do ano passado pelo governo brasileiro) prevê R$ 40 bilhões para o setor até 2010 comparou Élvio Gaspar, diretor da área social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que participou na sexta-feira do seminário Saneamento: as obras do PAC e a universalização do acesso aos serviços .

Ampliação

O executivo disse que, com esse montante (R$ 40 bilhões) até 2010, o governo pretende atender 86% dos domicílios brasileiros com água potável, 55% com esgoto e 47% com destinação adequada do lixo.

Só no ano passado foram destinados cerca de R$ 10 bilhões ao saneamento disse o diretor.

Newton de Lima Azevedo, vice-presidente Associação Brasileira das Empresas de Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), disse que o serviço de saneamento é muito importante.

O setor amadureceu, está consciente que pode enfrentar o grande desafio da universalização e, portanto, discussões como esta são muito importantes comentou.

Segundo dados divulgados no fim de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela primeira vez, no ano passado, a quantidade de domicílios ligados à rede de esgotos passou de 50% alcançou 51,3%, contra 48% em 2006. O Sudeste apresentou as maiores taxas, com 79,4% de aumento nas ligações, enquanto o Norte cresceu 9,8% e o Nordeste, 29%.

Gaspar, do BNDES, salientou a importância de fortalecer as empresas de saneamento do país.

Queremos projetos para financiar. Vamos financiar tudo o que propuserem para melhoria do saneamento garantiu o diretor. Projetos de saneamento são economicamente viáveis, já que dão retorno ao caixa e, por este motivo, o BNDES não tem restrição orçamentária para o segmento. Até projetos em cidades pequenas trazem retorno. Já comprovamos que a tarifa de água e esgoto cobre tranqüilamente o custo da operação e ainda dá rentabilidade.

Gaspar contou também que a estatal criou um programa para melhoraria da gestão destas empresas, com o objetivo de futuramente deixarem de depender apenas do orçamento público federal.