Companhia do setor de celulose sofre com a valorização do dólar

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - A valorização de cerca de 17% do dólar no trimestre passado e o cenário de incertezas econômicas causaram estragos pesados nos balanços do setor de papel e celulose. A Aracruz foi uma das primeiras empresas brasileiras, vítima da crise financeira global, a anunciar nesta sexta-feira o balanço trimestral. A companhia revelou um prejuízo líquido de R$ 1,642 bilhão no terceiro trimestre deste ano, ante um lucro líquido de R$ 260,9 milhões em idêntico período em 2007.

Como já havia sido adiantado pela própria Aracruz no início deste mês, a empresa reconheceu perdas de R$ 1,95 bilhão devido a operações de câmbio que sofreram com as oscilações bruscas das cotações, que saltaram de R$ 1,63 para R$ 1,90 no último mês de setembro.

Entre os investimentos revistos pela Aracruz está a suspensão temporária da expansão da fábrica de Guaíba, no Rio Grande do Sul, e de compra de terras e formação de florestas para a joint-venture Veracel, na Bahia, e para o terceiro

complexo fabril no país a ser instalado na região de Governador Valadares (MG).

A empresa comercializou 679 mil toneladas de celulose, um resultado 12% abaixo dos números contabilizados no terceiro trimestre do ano passado. As vendas de papel totalizaram 12 mil toneladas, um decréscimo de 20% sobre o mesmo período em 2007.

A produção de celulose atingiu 810 mil toneladas, um cresicmento de 3% sobre o total produzido no terceiro trimestre de 2007.

Com o rápido desaquecimento das principais economias globais, muitas já estão próximas de um período de recessão, motivado pela cries financeira, a baixa disponibilidade de crédito e o ainda elevado preço das commodities. O impacto sobre o setor de papel e celulose ainda é incerto e difícil de prever, mas já está sendo sentido admitiu a diretoria da Aracruz, em seu balanço. A empresa também cortou em cerca de US$ 900 milhões investimentos previstos até 2009.

Na véspera, outra empresa do setor a cortar investimentos e divulgar prejuízo foi a Klabin, maior do segmento de papéis e embalagens.

A Aracruz está envolvida em um processo de fusão com a VCP, suspenso diante das perdas com derivativos e do quadro de incerteza econômica. A VCP teve prejuízo de R$ 586 milhões no trimestre passado, ante lucro de R$ 278 milhões um ano antes.