Preço da celulose pode recuar mais, diz analista

SÃO PAULO, 16 de outubro de 2008 - A expectativa é que os preços da celulose apresentem declínio, assim como outras commodities. Tudo dependerá de como a crise se desenrolará, afirmou Pedro Galdi, analista da Corretora SLW. "Caso a crise se agrave na Ásia, os preços da celulose podem registrar uma queda maior", disse.

Peter Ping Ho, analista de investimento da Planner Corretora, estima que se a instabilidade econômica continuar no grau de evolução visto hoje, os preços da celulose terão um recuo de 10%. Atualmente, a tonelada da matéria-prima está na faixa de US$ 870 na América do Norte e US$ 600 na Europa.

"A queda nos preços da celulose poderão se acentuar mais em 2009, porque os Estados Unidos e a Europa já poderão estar em recessão", afirmou Ho. De acordo com o analista da Planner, a crise no exterior gerou uma retração de consumo, o que influenciou diretamente os preços da celulose.

Galdi avalia que as companhias estrangeiras do setor podem não agüentar essa instabilidade econômica. "As empresas também podem operar com prejuízo, mas acredito que isso não ocorra", diz. No exterior, o ciclo das plantações é de 30 anos, o que prolonga o processo de reposição de estoque e eleva o custo de produção.

Se por um lado o Brasil se beneficia por possuir um custo de produção mais baixo, uma fez que o setor se baseia na produção de celulose se fibra curta, proveniente do eucalipto que tem ciclo de crescimento de sete anos; por outro lado as principais empresas no segmento - Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Aracruz - exportam praticamente toda a produção. Com o cenário externo instável, Galdi acredita que a Kalbin será a menos afetada, já que possui uma produção voltada mais para o mercado interno.

De acordo com o analista da SLW, o setor de papel e celulose já apresentou sinais de fraqueza no terceiro trimestre, e há possibilidade da situação piorar nos últimos três meses do ano com maior recuo do preço da commodity.

Galdi esclarece que o cenário econômico ainda está muito nebuloso, o que dificulta realizar projeções para longo prazo. Entretanto, "se confirmada a desaceleração, o primeiro trimestre de 2009 não será bom, poderá haver queda das exportações com a diminuição dos pedidos, e novos reajustes de preço".

Como o cenário se deteriorou muito rápido, nesse momento, o grande desafio das companhias, segundo Ho, é coordenar bem as ações para não gerar excedente de celulose no exterior. "As companhias poderão ter que adiar os investimentos e reduzir a produção", pondera.

(Micheli Rueda - InvestNews)

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