Não temos clareza sobre a dimensão, diz Skaf

SÃO PAULO, 16 de outubro de 2008 - A crise é gravíssima, não temos clareza sobre seu tamanho, conseqüência e dimensão. O sistema financeiro é todo interligado, por isso a economia brasileira também foi afetada, os primeiros sinais já foram sentidos com a redução do crédito, afirmou Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no 14º Congresso Brasileiro da Indústria Gráfica (Congraf).

Entretanto, Skaf afirma que a situação no Brasil está sob controle, uma vez que as empresas apresentam uma estrutura sólida, pequeno endividamento e muitos setores registraram bons resultados com faturamento recorde. Além disso, o país conta com uma reserva internacional de US$ 203,973 bilhões. "Não estamos imunes, mas temos ferramentas para minimizar os efeitos da crise", disse o presidente da Fiesp.

De acordo com Skaf, o Banco Central agiu corretamente, focando suas intervenções no câmbio e no crédito. Por outro lado, o executivo alerta que os bancos não estão repassando o crédito. "As medidas do BC foram corretas, mas não estão atingindo o objetivo de irrigar a economia", destacou.

É natural que ocorra uma desaceleração do crescimento, uma vez que as exportações serão afetadas pela crise mundial. "Aqui temos um mercado interno ativo, mas sem crédito o sistema pára. A questão do crédito tem que ser trabalhada para que as conseqüências sejam minimizadas", avalia Skaf.

O presidente da Fiesp acredita que o momento exige uma liderança política, "porque não se sabe o que vai acontecer, é um momento de união e busca por uma solução e não para que culpados sejam apontados". Com o objetivo de enfrentar o atual cenário econômico mundial, Skaf avalia que o Brasil tem que tomar medidas mais profundas, reduzir gastos públicos e promover reformas.

(Micheli Rueda - InvestNews)