Medo de recessão pressiona negócios e dólar sobe

SÃO PAULO, 16 de outubro de 2008 - Os investidores seguem cautelosos, atento ao desenrolar da crise financeira mundial que caminha para uma recessão. Instantes atrás, o dólar subia 2,54%, para R$ 2,218 na compra e R$ 2,220 na venda. O avanço da moeda norte-americana já anulou boa parte das perdas de 10% acumuladas no começo da semana, passada a euforia inicial com os pacotes de ajuda a bancos dos Estados Unidos e vários países da Europa.

Na véspera, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, alertou que os mercados de crédito levarão tempo para descongelar, e que, mesmo se os mercados financeiros se estabilizarem, a economia não irá se recuperar logo em seguida.

A agenda de indicadores e os balanços corporativos nos EUA também ampliam o receio do que ainda está por vir em Wall Street e no resto mundo. O Departamento de Trabalho informou que o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI), que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, apresentou alta de 2,7% em setembro. Já o Fed informou que a produção industrial recuou 2,8% no mês passado.

A economia brasileira também dá sinais de que não vai escapar incólume da crise. Além das notícias de aperto no crédito e de grandes perdas com operações no câmbio, grandes indústrias já advertiram que devem pisar no freio.

Para garantir a circulação de dólares, o Banco Central (BC) mantém suas atuações. Nesta manhã, a autoridade monetária faz leilão de linha com prazo de 182 dias, em uma operação que pode movimentar até US$ 1 bilhão e oferece mais 50 mil em contratos de swap cambial.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)