Inflação: alta do dólar em outubro foi de 0,78%

Vanessa Stecanella, Jornal do Brasil

SÃO PAULO - O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) surpreendeu o mercado ao registrar alta de 0,78% em outubro, praticamente o triplo do apurado em setembro (-0,42%). O teto das estimativas estava em torno de 0,65%. No ano, o indicador acumula inflação de 9,45%; e de 11,97% em 12 meses.

Segundo o economista da Tendências Consultoria Integrada Gian Barbosa, a valorização do dólar frente ao real já começa a impactar no preço dos produtos industrializados.

A indústria importa muitos insumos. Assim, se o dólar está mais caro, os preços dos importados sobem também afirma.

Além disso, o economista destaca a forte influência das commodities no Índice de Preços por Atacado (IPA), que representa 60% do IGP-10.

Principalmente a desaceleração da queda das commodities agrícolas, que acabaram elevando o preço dos alimentos no atacado. Já os alimentos in natura têm variação mais intensa, indo de um extremo ao outro, pois refletem as mudanças climáticas com mais força explica.

A influência da depreciação cambial reflete no aumento do preço de adubos e fertilizantes compostos (3,48% para 3,94%) e também contribui para o comportamento de commodities como minério de ferro (3,13% para 9,50%) e soja (-7,75% para 2,49%), assim como variação do clima interfere no cultivo da mandioca ( 5,71% para 29,46%) e feijão ( 1,45% para 13,51%).

Depois da rápida trégua, os alimentos voltaram a pressionar também a inflação no varejo. Na ponta do consumo, as maiores influências foram as despesas com habitação. Em outubro, o IGP-10 verificou ajuste da tarifa de água e esgoto (0,99% para 2,64%), condomínio residencial (0,47% para 1,07%) e aluguel residencial (0,46% para 0,46%). O aumento do preço do cigarro (1,82% para 2,15%) também pesou no bolso do consumidor.

Mas o que azedou mesmo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) (-0,03% para 0,10%) foi o custo do limão, que já estava bem inflacionado (44,22%), em setembro, e continua apontando alta em outubro (62,12%).

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), continua inflado por conta do aquecimento do setor, avalia Barbosa, mas sentiu o impacto dos preços internacionais em itens como alumínio, aço e cimento. Entre as maiores altas estão: aço (6,42% para 3,70%), cimento (2,83% para 5,90%), tijolo/telha cerâmica (1,29% para 2,82%), madeira para telhados (1,70% para 2,32%) e esquadrias de alumínio (0,27% para 1,05%).