Índice acionário se descola de EUA e recua 1,06%

SÃO PAULO, 16 de outubro de 2008 - A volatilidade registrada nas principais praças acionárias de Wall Street, aliada à forte queda das commodities no mercado internacional, levaram a bolsa brasileira a se descolar do front externo. Enquanto as principais praças norte-americanas encerraram o dia em forte alta, o índice acionário da BM&FBovespa, depois de chegar a cair mais de 8% durante o dia, marcou desvalorização de 1,06%, aos 36.441 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,51 bilhões.

Por aqui, a queda da bolsa foi influenciada pelo forte recuo das ações da Petrobras - desvalorização de 7,5% para preferenciais e 8,67% para ordinárias. Estas, por sua vez, repercutiram a queda no preço do barril de petróleo de 6%. Durante o dia, o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) divulgou que as reservas da commodity aumentaram em 5,6 milhões de barris na semana encerrada dia 10 de outubro. Em contrapartida, as ações ordinárias da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) subiram 17,28%.

"Era praticamente certo que as praças acionárias apresentariam uma recuperação técnica em função das fortes quedas vistas ontem. Porém, algumas notícias divulgados durante o dia desviaram o rumo dos investidores, que retornaram à trajetória apenas nos Estados Unidos", afirma Décio Pecequilo, operador-sênior da Tov Corretora.

Dentre estas notícias citadas por Pecequilo estiveram a injeção de capital no UBS (de 6 bilhões de francos suíços) e Credit Suisse (de 10 bilhões de francos suíços) e a divulgação de indicadores norte americanos. A produção industrial recuou 2,8% em setembro ante uma queda de 1,1%, enquanto que a atividade industrial da Filadélfia atingiu o menor nível desde outubro de 1980.

Em contrapartida, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) ficou estável em setembro, mas o núcleo subiu 0,1% no mesmo período. "Esta foi uma boa notícia, já que aponta que as pressões inflacionárias foram dissipadas. Com isso, abre uma janela para o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) cortar os juros", diz o operador-sênior da Tov Corretora.

Quanto ao setor financeiro norte-americano, o Citigroup reportou prejuízo líquido de US$ 2,8 bilhões no terceiro trimestre desse ano, ante um lucro líquido de US$ 2,21 bilhões. Já o Merrill Lynch registrou prejuízo líquido de US$ 5,1 bilhões no terceiro trimestre desse ano, frente aos US$ 2,2 bilhões.

No âmbito doméstico, a Klabin registrou prejuízo líquido de R$ 253 milhões no terceiro trimestre deste ano, ante um lucro líquido de R$ 178 milhões obtidos em igual período do ano anterior. De acordo com a empresa, o resultado líquido foi impactado pela desvalorização do real frente ao dólar.

Outra empresa de papel e celulose que apresenta desempenho ruim na BM&FBovespa, nesta quinta-feira, é a Suzano. A companhia informou que vai suspender, na primeira semana de novembro, a produção na sua fábrica em Mucuri (Bahia), devido ao "arrefecimento da demanda por celulose em determinados mercados asiáticos, especialmente o chinês". As ações preferenciais série A da empresa caíram 11,39%, a R$ 12,05.

(Vanessa Correia - InvestNews)

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