Economia centra atenção de McCain e Obama em debate

SÃO PAULO, 16 de outubro de 2008 - Os candidatos à presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, realizaram seu último debate, na noite desta quarta-feira, em Hempstead, Nova York. Como nos dois confrontos anteriores, a crise econômica dominou o confronto de idéias e propostas, conduzido por Bob Schieffer, da rede CBS.

Tentando se descolar do presidente George W. Bush, McCain se declarou "decepcionado" com o fato de o secretário do Tesouro, Henry Paulson, não ter feito da ajuda aos mutuários atingidos pela crise hipotecária "sua primeira prioridade".

Ao ser acusado pelo democrata de apoiar a desastrosa política econômica do atual governo, o candidato republicano chegou ao ponto de declarar: "Senador Obama, eu não sou o presidente Bush. Se você queria concorrer com o presidente Bush, deveria ter feito isto há quatro anos. Vou dar uma nova direção à nossa economia e ao nosso país".

McCain defendeu aplicar US$ 330 bilhões do pacote de socorro do governo para comprar as hipotecas sem liquidez da Fanny Mae e Freddie Mac e negociá-las com os cerca de 11 milhões de mutuários inadimplentes, para que possam ficar com suas casas.

Obama culpou os banqueiros em Wall Street pela crise e disse que eles "não podem enriquecer às nossas custas", mas defendeu uma negociação mais apurada com os mutuários, descartando a idéia de um pacote geral para os inadimplentes. O candidato democrata destacou que o pacote de socorro do governo não pode ficar apenas no andar de cima e precisa atender ao americano comum.

Tanto Obama quanto McCain defenderam que a solução para a atual crise econômica passa pela criação de empregos, especialmente na área de energia, para reduzir a dependência externa americana. Os dois candidatos também defenderam a redução de impostos, mas criticaram francamente a proposta de cada lado sobre a questão.

Obama acusou McCain de querer dar US$ 200 bilhões em insenções fiscais para as grandes empresas, enquanto ele planeja aliviar a carga tributária sobre quem ganha até US$ 250 mil por ano, o que incluiria "95% dos norte-americanos".

McCain rebateu, afirmando que quer reduzir impostos sobre os pequenos empresários para gerar empregos, e destacou que não é possível criar empregos com uma taxa tributária de 35%, "a segunda mais alta do mundo". Obama respondeu afirmando que (o investidor) Warren Buffet pode "pagar mais impostos", a Exxon Mobil "pode pagar mais", para que famílias comuns tenham alívio.

Sobre a questão do déficit público, Obama e McCain concordaram que é preciso cortar gastos, mas o democrata defendeu um corte cirúrgico, enquanto o republicano falou em "congelamento". McCain citou US$ 15 bilhões em subsídios pagos a empresas de seguro saúde e disse que é preciso eliminar os programas que não funcionam. "É preciso investir melhor em saúde, energia, educação".

O candidato republicano afirmou que "sabe" como cortar gastos, e prometeu economizar bilhões em defesa, eliminar subsídios, inclusive ao etanol, e vetar todo orçamento clientelista. Obama criticou a proposta de "congelamento" e disse que é preciso tratar a questão dos cortes no orçamento com "um bisturi": "Temos que eliminar programas que não funcionam; faremos os programas necessários funcionar melhor".

McCain defendeu "a independência energética" dos Estados Unidos, afirmando que "precisamos da energia nuclear para parar de mandar dinheiro aos países que não gostam de nós".

O republicano disse ser "contra os subsídios ao etanol" produzido nos EUA e citou o Brasil como uma alternativa. Já Obama propôs fontes "alternativas" de energia, com maiores investimentos em energia eólica, geotérmica e das marés, além da construção de carros mais "ecológicos".

(Redação com agências internacionais - InvestNews)

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