Cenário é desfavorável para papel e celulose

SÃO PAULO, 16 de outubro de 2008 - É certo que o setor de papel e celulose no Brasil passa por modificações, as grandes empresas do segmento estão ampliando seus negócios. Entretanto, não é um cenário favorável porque ainda é desconhecido o grau de desaquecimento da economia. Esta é a avaliação Jayme Alves, analista de investimento da Corretora Spinelli, em virtude da crise financeira mundial.

Recentemente, a Aracruz divulgou que deve registrar prejuízo com aplicações de derivativos estimado em R$ 1,95 bilhão, por conta da alta valorização do dólar. Frente a esse cenário, Jayme acredita que as negociações entre a Votorantim Celulose e Papel (VCP) e a Aracruz serão afetadas. "Já era esperada uma revisão do acordo, mas com o prejuízo reportado, a revisão será mais brusca", afirmou.

O analista prevê que sejam feitas modificações nos termos da aquisição e os planos de investimento serão revistos. Já Pedro Galdi, analista da Corretora SLW, afirma que as especulações sobre as operações de câmbio podem ter contaminado fortemente os resultados das empresas.

De acordo com Alves, em âmbito internacional, o setor enfrenta a queda no preço da celulose, devido ao agravamento da crise. "O desaquecimento das economias internacionais acaba por gerar um desaquecimento da demanda", explica.

Além disso, o analista afirma que a perspectiva de desaceleração econômica na Europa e América do Norte só piora a situação para a Aracruz, uma vez que a companhia apontou, em seu último resultado, que teve 39% da produção exportada para a Europa, 36% para a América do Norte, 23% para o centro da Ásia e apenas 2% ficou no Brasil.

Nesse momento, o grande desafio das companhias, segundo Galdi, será liquidar as operações com derivativos.

Por outro lado, Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), acredita que "as empresas ainda irão avaliar se a crise terá efeitos no setor. Com a alta do dólar, as companhias de celulose e papel voltaram suas atenções para este assunto".

Por meio da assessoria de imprensa, a International Paper, empresa produtora de papéis não revestidos e embalagens, afirmou que crise ainda não teve impacto em seus negócios.

(Micheli Rueda - InvestNews)