BC vende dólares e retira moeda da rota de alta

SÃO PAULO, 16 de outubro de 2008 - Hoje foi mais um dia de intensa volatilidade nos mercados mundo afora, com números ruins sobre o ritmo da atividade econômica nos Estados Unidos ratificando as perspectivas de que o país está à beira da recessão.

Do lado real da economia, a produção industrial apresentou a maior queda desde 1974, ao se contrair 2,8% em setembro, bem mais do que os 0,8% esperado pelos analistas. Já o núcleo da inflação ao consumidor medida pelo CPI apresentou alta de 2,7% nos últimos três meses. No flanco corporativo, o Citigroup anunciou prejuízo de US$ 2,8 bilhões no terceiro trimestre, a Merrill Lynch teve perdas de US$ 5,15 bilhões e o BNY Mellon apresentou forte queda em seu lucro líquido.

Ainda assim, o dólar fechou em leve baixa de 0,46%, vendido a R$ 2,155, beneficiado pelos esforços do Banco Central (BC). A autoridade monetária efetuou operação com swap cambial com vencimento em 1º de dezembro, em um leilão que movimentou US$ 1,814 bilhão. O BC também realizou venda direta de dólares além de vender US$ 1 bilhão com compromisso de recompra em 182 dias. Aliado a tudo isso, relaxou ainda mais as regras para os depósitos compulsórios.

Segundo o analista da corretora Socopa, Paulo Fujisaki, ainda existem dificuldades operacionais nas linhas de financiamento ao comércio exterior e por isso, o BC está atacando de todos os lados. "Ele está estancando a hemorragia de imediato, para não deixar a volatilidade levar o dólar lá nas alturas e provocar maiores danos a economia", avalia. Para o analista, o câmbio não tem forças para voltar aos patamares anteriores, e deve continuar flutuando entre a faixa R$ 2,10 e R$ 2,20.

Para Fujisaki, após as medidas de salvamento dos bancos, as preocupações passaram para o nível de desaquecimento mundial, que deve seguir no curto prazo até que não seja restaurada a confiança e a credibilidade na economia. "É fato que os pacotes de ajuda aos bancos dos EUA e Europa trouxeram certo alento aos negócios, mas na prática, ainda não surtiu os efeitos necessários para restaurar a liquidez", comentou.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)

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