Saques nos fundos é "queima" de reservas

SÃO PAULO, 15 de outubro de 2008 - Os saques assistidos pela indústria de fundos nos últimos 30 dias representam uma ´queima´ de reservas, movimento considerado normal em momentos de crise, segundo Reinaldo Zakalski, diretor da BI Investimentos.

De acordo com a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), entre 8 de setembro e 8 de outubro, os fundos reportaram R$ 17,8 bilhões em saídas líquidas. Estes dados representam aumento de quase 80% dos saques registrado no ano passado.

"Como estamos vivendo uma crise de crédito, é natural os investidores sacarem as reservas para tentar repor o aperto de liquidez. É um efeito dominó: os bancos reduzem as linhas de crédito e forçam os investidores a buscar suas poupanças. Em alguns casos, boa parte delas está nas carteiras de fundos de investimento´, enfatiza Zakalski.

O executivo acredita que o segundo momento da crise é atingir a economia real com queda de produtividade. "Funciona como um trem. A locomotiva pára e demora um tempo para outros vagões assimilarem a parada. Se, com as medidas implementadas [nos Estados Unidos e Europa], o crédito for retomado rapidamente, a locomotiva pode voltar a andar e estancar os saques, o que leva os investidores a poupar de novo. A dúvida é saber em que velocidade ele vai voltar a andar", exemplifica.

A crença do diretor da BI é a de que a retomada ocorra somente no ano que vem, já que nos próximos meses muitos eventos devem ainda mexer com a economia global. Entre eles, a eleição presidencial nos Estados Unidos. "Ninguém sabe a postura que será adotada pela pessoa que sentar naquela cadeira. Vale lembrar que os Estados Unidos representam 30% do comércio mundial", enfatiza.

A recomendação de Reinaldo Zakalski para o investidor de fundos é paciência. "Se não precisa do dinheiro, fica onde está. Procure se interar sobre a política de gestão e verifique se ela está de acordo com o seu perfil de investimento", destaca

(Priscila Dadona - InvestNews)

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