Economista argentino teme desaceleração da economia brasileira

Mylena Fiori, Agência Brasil

BRASÍLIA - Os efeitos da crise financeira no Brasil começam a preocupar os argentinos. Principal parceiro comercial do país vizinho, o Brasil compra US$ 10 bilhões dos US$ 55 bilhões exportados anualmente pela Argentina. Por isso, um desaquecimento da economia brasileira pode representar queda nas compras de produtos argentinos.

- É de se esperar que a desaceleração das economias, derivada da crise internacional, impacte sobre a demanda de produtos. No caso argentino, especialmente sobre a demanda de produtos manufaturados por parte do Brasil. Apesar disso, deve-se evitar reações defensivas exageradas - disse à Agência Brasil, Alberto Barbieri, decano da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Buenos Aires (UBA).

O professor defende uma ação coordenada dos países do Mercosul, na busca de uma compreensão comum sobre a crise e seus eventuais efeitos na região o que, segundo ele, não foi feito em outros momentos importantes.

- A experiência prévia não é muito alentadora, uma vez que em casos críticos o bloco não levou em conta, em sua análise, o planejamento e implementação de medidas nacionais e sua repercussões regionais -, observa.

Até o fim do mês, ministros de economia e chanceleres do Mercosul devem se reunir justamente para debater os efeitos da crise financeira internacional na região. Esta semana, circulou na imprensa a informação negada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega - de que Brasil e Argentina defenderiam a elevação da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, a fim de evitar a enxurrada de produtos asiáticos não absorvidos pelos Estados Unidos e Europa. Hoje, o teto do imposto de importação aplicado sobre produtos estrangeiros que ingressam no bloco é 35%.

Apesar do risco, Barbieri é contra a adoção de medidas radicais de defesa de mercados.

- A Tarifa Externa Comum expressa estratégias e políticas comerciais de longo prazo de nossas economias e, por isso, a modificação do esquema tributário do bloco reginal não é o melhor instrumento para enfrentar situações como a atual - opina.

O economista acredita que a economia argentina, hoje, tem pilares mais sólidos para enfrentar a crise internacional. Como exemplo, Barbieri cita os superávits externo e fiscal e o elevado nível de reservas internacionais.

O fantasma da desaceleração econômica no Brasil e no resto do mundo parece ser o maior temor argentino neste momento.

- Os superávits comercial e fiscal dependem, em boa medida, dos preços interncionais das commodities agroindustriais. Além disso, verifica-se uma dependência muito maior do que no passado do nível das vendas externas - ressalta o economista argentino.

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