Ásia ignora aprovação do plano de resgate nos EUA

SÃO PAULO, 2 de outubro de 2008 - Apesar do Senado dos Estados Unidos ter aprovado o pacote de resgate ao setor financeiro, as bolsas da Ásia fecharam em queda nesta quinta-feira. Os investidores da região temem que o plano de US$ 700 bilhões, elaborado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, não consiga evitar uma recessão na maior economia do mundo.

Entre os principais índices da região Ásia-Pacífico, o Nikkei 225 de Tóquio caiu 1,87%, para 11.154,76 pontos. O Kospi de Seul recuou 1,39%, para 1.419,65 pontos. Em Sydney (Austrália), o indicador All Ordinaries perdeu 0,84%, para 4.774,10 pontos. Na contramão, o referencial Hang Seng de Hong Kong subiu 1,08%, para 18.211,11 pontos. Já na China, Índia, Paquistão e Indonésia, os mercados não operaram hoje por conta do feriado local.

O pacote aprovado pelo Senado dos EUA traz diversas emendas adotadas para agradar os deputados que votaram contra o plano original, rejeitado pela Câmara de Representantes na última segunda-feira. Entre as principais emendas estão a ampliação do limite de garantia dos depósitos bancários nos Estados Unidos, de US$ 100 mil para US$ 250 mil, e benefícios fiscais para a classe média e as empresas.

Sob o nome de "Lei de Estabilização Econômica de Emergência", o plano concede poderes sem precedentes a Paulson para socorrer o setor bancário e restabelecer as linhas de crédito nos Estados Unidos.

Na Ásia, os mercados ainda reagem com cautela diante da aprovação do plano. Os investidores permanecem desconfiados sobre a garantia de que o pacote será capaz de recuperar a economia dos Estados Unidos. As ações dos setores bancário e exportador estenderam as perdas nas sessões.

Entre as instituições financeiras, os papéis dos japoneses Mitsubishi UFJ Financial e Mizuho Financial caíram 1,41% e 2,22%, respectivamente, mesmo com a injeção de 1,6 trilhão de ienes feita pelo Banco do Japão (BoJ, central). Em Sydney, os títulos do Australia & New Zealand Banking recuaram 1,66%. Já em Hong Kong, as ações do Hang Seng Bank apontaram baixa de 8,87%.

A crise financeira, que já dura mais de um ano, causou quebras, prejuízos e problemas a instituições de alcance global, como os bancos Citigroup, UBS, Lehman Brothers, Washington Mutual, Bear Stearns, Fortis, Merrill Lynch, Wachovia e a seguradora AIG, além das duas principais empresas do setor hipotecário norte-americano, Fannie Mae e Freddie Mac.

Entre as divisas, o dólar continua a se desvalorizar. Em Tóquio, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a 105,46 ienes, contra 106,28 ienes da última sessão. Com o dólar fraco, os produtos de companhias exportadoras se tornam menos competitivos no mercado internacional.

No setor de tecnologia, os papéis da Casio Computer e Sony diminuíram 6,89% e 5,92%, respectivamente. Já entre as companhias automotivas, os títulos da Honda apresentaram recuo de 4,46%, enquanto os da Toyota recuaram 3,36%.

(Marcel Salim - InvestNews)