Tensões devem continuam nas próximas sessões

SÃO PAULO, 30 de setembro de 2008 - As perspectivas não são nada animadoras para esta terça-feira e os mercados devem manter a oscilação negativa vista ontem. Há pouco, o Ibovespa com vencimento em outubro registrava desvalorização de 2,27%, aos 45.900 pontos, nas negociações futuras da BM&FBovespa.

A rejeição, pela Câmara dos Representantes, do pacote de ajuda de US$ 700 bilhões do governo norte-americano para salvar o setor financeiro causou pânico generalizado nos principais mercados mundiais, levando as bolsas de valores ao redor do mundo a registrarem forte recuo. No Brasil, após recuar mais de 10%, o circuit breaker foi acionado, paralisando as operações na bolsa doméstica por 30 minutos. A Ásia também sentiu o efeito dominó e encerrou a sessão em forte queda.

Em instantes, o presidente George W. Bush fará novo pronunciamento, na tentativa de conseguir aprovação do plano. Líderes do Congresso pretendem votar uma versão modificada da lei ainda esta semana, mas não há garantias de que conseguirão angariar o apoio necessário.

A agenda doméstica e externa corrobora para aumentar a tensão. Nos Estados Unidos, serão divulgados dados de preços de imóveis e a confiança do consumidor norte-americano que, ao que parece, está cada vez mais pessimista com a economia do seu país. Internamente, os mercados repercutem a manutenção pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ontem da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) em 6,25%. Esta taxa é utilizada nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e vale para o trimestre de outubro a dezembro. O CMN deve ratificar a decisão de manter a TJLP em sua reunião de hoje.

"O mercado agora fica sem norte, aguardando qual será o Plano B, se é que existe um, para salvar o setor financeiro que encontra-se em situação dificílima, enfrentando o aperto de liquidez e a completa falta de confiança entre os agentes do mercado", segundo relatório da SLW Corretora.

(Vanessa Correia - InvestNews)