Projeções recuam em dia de poucos negócios

SÃO PAULO, 30 de setembro de 2008 - As projeções de juros embutidas nos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) operam em queda em um dia de poucos negócios diante da expectativa de que o plano de resgate aos bancos será aprovado, depois de ser rejeitado ontem pela Câmara de Representantes dos Estados Unidos. A expectativa é de que a votação no Congresso seja retomada amanhã.

O analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, ressalta que o mercado espera que o governo apresente uma nova proposta e a esperança é de que o pacote venha com novas alterações e seja melhor. No entanto, o especialista lembra que o pacote não é a solução definitiva para a crise, pois as incertezas são "gigantes". "No momento o pacote serve para tranqüilizar os ânimos e diminuir a preocupação quanto a novas quebras", friza.

Ainda de acordo com o Goulart, há no mercado também a esperança de que os bancos centrais irão cortar o juro para promover uma recuperação da economia global e acalmar os investidores trazendo alívio para os negócios, pelo menos no curto prazo. "Estas expectativas ligadas aos fundamentos econômicos do Brasil estão contribuindo para a curva de juros futuros se manter tranqüila", disse.

O especialista ressalta ainda que, diante de um cenário onde o agravamento da crise financeira diminui a oferta de crédito no mercado internacional, crescem as chances do colegiado do Banco Central (BC) brasileiro reduzir o aperto monetário na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agenda para o dia 28 e 29 de outubro. Para o Goulart o comitê elevará a taxa Selic de 13,75% para 14,25% ao ano.

Na BM&FBovespa o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2010, o mais líquido, apontava taxa anual de 14,60%, ante 14,70% do ajuste anterior. O DI de janeiro de 2012 recuava de 14,53% para 14,34% ao ano.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)