Desaceleração na Ásia será mais severa, diz pesquisa

REUTERS

HONG KONG - A desaceleração econômica da Ásia neste ano será mais severa que o imaginado anteriormente, à medida que a crise financeira global prejudica as exportações. Mas a inflação deve ser abrandada, o que pode dar às autoridades algum espaço para sustentar o crescimento, mostrou uma pesquisa da Reuters.

Entretanto, economistas pesquisados em 12 economias asiáticas, com exceção do Japão, disseram que as previsões carregam uma advertência, dado as frequentes reviravoltas da crise global de crédito.

É importante ressaltar que a pesquisa foi realizada na última semana, antes da inesperada rejeição, na segunda-feira, do plano de resgate do setor financeiro de US$ 700 bilhões por parlamentares americanos.

O maior perigo para as economias asiáticas é que a demanda global, o principal pilar de sustentação da região, continuará a se enfraquecer, à medida que mercados acionários em queda corroem a confiança do consumidor.

O desmantelamento de Wall Street coloca os Estados Unidos em forte risco de cair em uma recessão, depois de um ano de resistência, enquanto a economia da zona do euro se contraiu no segundo trimestre. Economistas dizem que o Japão está à beira da recessão.

A consequência da crise financeira global irá diminuir o crescimento econômico Chinês para 9,9% este ano, marcando a primeira vez desde 2002 que a economia de maior crescimento do mundo registrará expansão de um único dígito.

- A economia chinesa está em desaceleração. Mas as China não seguirá os Estados Unidos e grande parte da Europa para o abismo econômico- disse Andy Rothman, economista da CLSA em Xangai.

- Acima de tudo, o impacto da desaceleração das exportações na economia doméstica não será severa- acrescentou.

Economistas prevêem que o crescimento da China deverá ser de 9,0% em 2009. A previsão do crescimento foi amplamente reduzida para todo o resto da região Ásia-Pacífico. O crescimento em 2009 será similar ao deste ano em sete de 12 dos países, mostrou a pesquisa.

A Nova Zelândia já está em recessão e Cingapura parece estar rumo à recessão. Ainda assim, a Ásia terá taxas de crescimento este ano e no próximo que são invejáveis para o ocidente. O Merrill Lynch estimou recentemente que o crescimento da Ásia em 2008, com exceção do Japão, será de 7,7%, ante a previsão anterior de 8,0%, e o crescimento de 2009 será de 7,3%, ante a estimativa passada de 7,8%.

A resistente pressão inflacionarária não está permitindo um afrouxamento da política monetária na Índia, Malásia, Indonésia e Coréia do Sul. Mas bancos centrais por todo o resto da região parecem estar dispostos a abrandar a política, dando suporte aos gastos com consumo.