Relatório de emprego dos EUA centra as atenções

SÃO PAULO, 5 de setembro de 2008 - Duas importantes divulgações, no mercado doméstico e externo, devem trazer ainda mais volatilidade aos mercados acionários mundiais nesta sexta-feira: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de agosto, e relatório do mercado de trabalho norte-americano, também referente a agosto. Instantes atrás, o Ibovespa com vencimento em outubro registrava estabilidade, aos 52.000 pontos, nas negociações futuras da BM&FBovespa.

Há pouco, o Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA avançou 0,28% em agosto, ante incremento de 0,53% no mês anterior. Com isso, o índice oficial acumulará alta de 4,48% no ano, ante 2,8% no mesmo período do ano passado. A O mercado projetava alta de 0,32% para o índice, segundo boletim Focus.

Já no front externo, o relatório de emprego deverá indicar que as condições do mercado de trabalho nos Estados Unidos permanecem fracas. Analistas prevêem que a taxa de desemprego fique estável em 5,7% em agosto, mas que haja nova retração nos postos de trabalho, a oitava consecutiva. O mercado estima queda de 70 mil postos de trabalho em agosto, o que levaria as perdas acumuladas do ano para 530 mil.

O preço petróleo também deve ser monitorado pelos investidores. Esta é a sexta sessão consecutiva que a commodity opera em queda em Nova York. O recuo nos preços ainda é incentivado pela divulgação do relatório semanal dos estoques de petróleo e derivados nos Estados Unidos.

Ontem, o índice acionário da BM&FBovespa encerrou no menor nível desde 21 de agosto do ano passado, aos 51.408 pontos. Os temores de que outras economias no mundo - como as da Europa e Japão - estejam à beira da recessão e o forte recuou das blue chips Petrobras, Vale e siderúrgicas foram os responsáveis pela desvalorização de quase 4%, a quinta consecutiva.

A aversão global ao risco também afetou as principais acionárias da Ásia. Por lá, as bolsas de valores da região encerram em queda nesta sexta-feira, estendendo as perdas observadas na última sessão. O cancelamento das operações de "carry trade" promoveu a desvalorização acentuada do dólar e do euro ante o iene, incentivando a venda de ações de companhias exportadoras. O baixo preço do petróleo, cada vez mais próximo de US$ 100, também colaborou para as baixas nos pregões.

(Vanessa Correia - InvestNews)