Juros: tensão global persiste e projeções operam em alta

REUTERS

SÃO PAULO - O clima tenso nos mercados mundiais se mantinha na manhã desta sexta-feira, contaminando o humor dos investidores no mercado de juros futuros ao contrabalançar mais um dado de inflação doméstica em desaceleração.

Em uma manhã de ampla liquidez, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2009 - o mais negociado - subia de 13,92% ao ano na véspera para 13,94% e o DI janeiro 2012 avançava de 14,29% para 14,31%. Já o DI janeiro de 2010 ia de 14,82% para em 14,83%.

- Hoje tudo vai depender bastante do comportamento lá fora, hoje de novo há a ameaça de mais pressão sobre o câmbio, mas preocupação com o agravamento da crise lá fora - disse Vladimir Caramaschi, economista-chefe do Crédit Agricole Brasil.

- Isso passa por cima do resultado da IPCA. Eu acho que se o clima continuar igual lá fora, o mercado aqui vai continuar ignorando o IPCA.

Na véspera, os mercados acionários tiveram fortes perdas e o dólar avançou ante várias moedas, refletindo dados ruins de emprego nos Estados Unidos e comentários do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, pouco positivos sobre a economia. Neste pregão, um novo dado de emprego norte-americano ficou pior que o esperado e a Nokia reduziu sua previsão de fatia de mercado no terceiro trimestre.

A Bovespa caía 1%, o dólar subia 0,6% ante o real e os futuros de Wall Street apontavam queda, assim com as bolsas européias.

No front doméstico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,28% em agosto, abaixo da taxa de 0,53% de julho e da previsão mediana do mercado de 0,31%.

Em meio à tensão global, a proximidade do final de semana também deixava os investidores nervosos, já que eles não querem ficar com posições montadas.