Bovespa sofre com movimento de aversão ao risco

Portal Terra

SÃO PAULO - O mercado mundial vive os efeitos da clara piora no andamento das economias mais desenvolvidas. Alertas no sentido de que a desaceleração econômica e até mesmo retração pode se aprofundar na Europa e no Japão, junto com dados mais negativos de atividade e até mercado de trabalho nos Estados Unidos, contribuem para a expectativa de que a economia mundial possa apresentar desempenho pior daqui para 2009, com reflexos inclusive para os países emergentes, que ainda convivem com a inflação mais elevada.

Paralelamente a essa nova percepção, o dólar sobe e as commodities caem, o que afeta muito o desempenho das ações mais negociadas na bolsa brasileira e todo o mercado. O dólar, no âmbito doméstico, testa patamares que não eram cogitados poucas semanas atrás.

Em meio ao aumento das incertezas, cresce o movimento de aversão ao risco o que, na prática, intensifica a saída de investimentos estrangeiros do País. Aliás, esse já foi um dos motivos da queda acentuada que a Bovespa acumula há três meses consecutivos e ameaça repetir agora em setembro. O Ibovespa, que abriu 2008 com a perspectiva de ultrapassar os 80 mil pontos, agora está patinando na faixa dos 50 mil.

Ficou pra trás a fase de forte expansão da economia mundial, com inflação baixa e muita liquidez. A inflação subiu, a crise do setor imobiliário nos Estados Unidos encolheu o sistema de crédito, com prejuízos pesados para grandes instituições, o que contaminou a Europa e o Japão, em um processo que pode se arrastar por um bom tempo.

E são inevitáveis os efeitos sobre o mercado brasileiro. Não dá pra se prever até onde vai a atual crise. Porque, diante das perdas acumuladas, não dá pra dizer que a bolsa brasileira não vive uma crise.