Bolsas da Ásia refletem tensão nos EUA e na Europa

SÃO PAULO, 5 de setembro de 2008 - As bolsas da Ásia fecharam em queda nesta sexta-feira, estendendo as perdas observadas na última sessão, prejudicadas pelos sinais de desaquecimento nas economias dos Estados Unidos e da Europa. O cancelamento das operações de "carry trade" promoveu a desvalorização acentuada do dólar e do euro ante o iene, incentivando a venda de ações de companhias exportadoras. O baixo preço do petróleo, cada vez mais próximo de US$ 100, também colaborou para as baixas nos pregões.

Entre os principais índices asiáticos, o Nikkei 225 de Tóquio caiu 2,75%, para 12.212,23 pontos, acumulando perda de 6,58% na semana. O Kospi de Seul recuou 1,54%, para 1.404,38 pontos. Em sete dias, o indicador sofreu desvalorização de 4,73%. Em Hong Kong, o índice referencial Hang Seng encerrou o dia abaixo da barreira imaginária dos 20 mil pontos pela primeira vez em oito meses, com queda de 2,24%, aos 19.933,28 pontos. Já na China, o indicador Xangai Composto diminuiu 3,29%, para 2.202,45 pontos.

A semana na Ásia foi marcada pela volatilidade nos pregões, com os investidores mantendo a cautela diante dos sinais cada vez maiores de desaquecimento nas economias dos EUA e da Europa, além do baixo valor do barril de petróleo no mercado internacional.

Ontem, o nervosismo se propagou após os principais índices de Wall Street registrarem desvalorização próxima a 3%, refletindo o aumento nos pedidos de auxílio-desemprego. Já o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, declarou que a economia da região está perdendo força, ao mesmo tempo em que a inflação segue elevada.

Em Tóquio, as companhias do setor financeiro e exportador lideraram hoje as baixas na sessão. Entre os bancos, os papéis do Mitsubishi UFJ Financial e do Mizuho Financial recuaram 2,27% e 6,35%, respectivamente. Já entre as exportadoras, o destaque ficou para os títulos da fabricante de produtos eletrônicos Sony, que caíram 4,20% após a empresa anunciar um recall mundial de 440 mil notebooks do modelo Vaio.

A desvalorização do dólar e do euro ante a divisa nipônica também colaborou para as perdas no setor exportador. Em Tóquio, a moeda norte-americana encerrou o dia cotada a 106,76 ienes, contra 108,12 ienes da última sessão. Já o euro finalizou o pregão a 152,69 ienes, contra 157,02 ienes da véspera.

No mercado de commodities, o barril de petróleo segue sua tendência de queda e se aproxima dos US$ 100. Há instantes, a commodity operava com baixa de 1,43%, negociada a US$ 106,35 na Bolsa de Mercadorias de Nova York (NYMEX, sigla em inglês). O valor é bastante inferior quando comparado ao recorde de US$ 147,27 observado no dia 11 de julho deste ano.

Na Ásia, as companhias do setor de energia estenderam hoje as perdas vistas no decorrer da semana. As ações da PetroChina em Hong Kong perderam 2,61%, enquanto os papéis da australiana Oil Search encerraram o dia com recuo de 3,87%.

Para a próxima semana, os investidores asiáticos repercutirão a divulgação dos dados sobre o mercado de trabalho nos EUA, que serão publicados ainda hoje. Além disso, o setor de siderurgia reagirá ao aumento de 86% no preço do ferro exportado pela brasileira Vale para seus clientes da China.

(Marcel Salim - InvestNews)