Trabalhadores de montadoras no PR mantêm greve

Agência Brasil

BRASÍLIA - Em assembléia realizada nesta quinta-feira, os cerca de 8 mil metalúrgicos da Volkswagen-Audi, Nissan e Renault, das fábricas de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, decidiram manter, por tempo indeterminado, a greve que completa quatro dias.

Segundo a assessoria do Sindicato dos Metalúrgicos da região metropolitana da capital, a nova proposta das montadoras foi rejeitada pela maioria absoluta dos grevistas. Os metalúrgicos querem 5% de aumento real e a reposição integral da inflação para serem aplicados já em setembro, além de um abono de R$ 1,5 mil também para setembro.

As montadoras ofereceram 10% de reajuste, composto da seguinte forma: 2,5% de aumento real, a correção integral da inflação acumulada nos últimos 12 meses, estimada pelo Dieese em 7,6%, e um abono de R$ 1,5 mil a ser pago em 10 de setembro. Só que esse índice seria aplicado somente a partir de novembro, na Volks; e dezembro, na Renault.

Os metalúrgicos começaram a greve na segunda-feira, data-base da categoria, juntamente com os cerca de 2,6 mil metalúrgicos da montadora de ônibus e caminhões Volvo, localizada na Cidade Industrial de Curitiba. Inicialmente, eles fizeram um protesto de 24 horas, por não concordar com a proposta anterior das empresas de reajuste de 0,5% de aumento real, além dos 7,6% para cobrir perdas inflacionárias, sem abono.

Na terça-feira, os funcionários da Volvo voltaram ao trabalho, dando mais tempo para as negociações. Em assembléia também realizada nesta quinta-feira, eles aceitaram a nova proposta da empresa, que prevê reajuste de 10% na próxima folha salarial e o pagamento do abono integral de R$ 1,5 mil no próximo dia 12 de setembro. Segundo o sindicato, o acordo representa 2,5% de aumento real,e 7,6% para cobrir perdas inflacionárias.

Levantamento do sindicato mostra que nesse período de paralisação, a Volks deixou de produzir cerca de 3,4 mil veículos. Na Renault, o prejuízo chega a aproximadamente 3,2 mil automóveis.

Segundo o presidente do sindicato, Sérgio Butka, a situação chegou a este ponto após seis reuniões de negociação com as montadoras. A proposta de reajuste salarial apresentada foi só de 0,5%, muito aquém das reivindicações da categoria, que permanecerá mobilizada, consciente de que o momento é altamente favorável, com recordes de produção e de vendas sendo batidos.

Nesta sexta-feira, o sindicato realiza novas assembléias às 5h30 e às 14h40, na Volks e na Renault, para definir os rumos do movimento.

As assessorias de imprensa das duas empresas, com sede em São Paulo, informaram que não vão se pronunciar sobre a paralisação.