Temor de recessão global conturba os negócios

SÃO PAULO, 4 de setembro de 2008 - O sentimento iminente de que a economia européia está à beira de uma recessão trouxe pessimismo aos mercados pelo mundo. E acompanhando a piora generalizada de humor, as principais bolsas de valores tiveram um pregão de fortes perdas, de mais de 2%. Por aqui, o dólar marcou a maior alta desde abril, ao subir 2,62%, para R$ 1,721 na venda. Já o principal índice da Bovespa, o Ibovespa chegou a despencar mais de 4%.

Os comentários do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, de que a economia da zona do euro está perdendo força, ao mesmo tempo em que a inflação segue elevada e com risco de subir ainda mais foi o mote para deterioração geral.

Para Celso Siqueira, operador da Advanced Corretora de câmbio, o aumento da aversão a risco - a taxa brasileira está em 260 pontos - e a queda dos preços de commodities também influenciaram os negócios, assim como a redução das estimativas do PIB na zona do euro. Trichet reviu o crescimento da economia de 1,5% a 2,1% para 1,1% a 1,7% para este ano. Após este notícia, o dólar passou a se valorizar ante as demais moedas do globo.

Na Alemanha, as encomendas à indústria caíram 1,7% em julho. "A desaceleração econômica na Europa começa a ficar mais clara, o que não favorece as perspectivas de resultados financeiros", diz Siqueira.

Diante do cenário averso, o relatório norte-americano mostrando aumento do desemprego na região veio a somar ao clima já tenso. Em agosto, o setor privado dos Estados Unidos eliminou 33 mil empregos, acima dos 30 mil previstos. Já o número de pedidos de seguro-desemprego avançou em 15 mil, para 444 mil.

Além de tudo isso, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central) de Dallas, Richard Fisher admitiu nesta quinta-feira que é muito possível que os EUA sofra um crescimento "anêmico" durante o atual trimestre e, inclusive, durante os dois próximos trimestres.

José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, acredita que apesar do fluxo cambial se mostrar positivo por aqui, a aversão ao risco e temor de recessão global deve continuar fortalecendo a moeda dos EUA.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)