Clima é de cautela com cena externa

SÃO PAULO, 4 de setembro de 2008 - A cautela deu o tom dos negócios no mercado financeiro doméstico com os investidores acompanhando o forte pessimismo externo diante de temores sobre a saúde financeira mundial. A economista-chefe da Arkhe DTVM, Inês Filipa, comenta que a quinta-feira foi marcada por uma variedade de indicadores sobre o ritmo da atividade norte-americana, dentre eles, os dados do mercado de trabalho que reforçaram rumores de recessão.

Nos EUA, pesquisa da consultoria ADP Employment revelou que em agosto o setor privado cortou 33 mil postos de trabalho, enquanto que um relatório do governo mostrou salto inesperado no número semanal por seguro-desemprego. Os dados oficiais de agosto, como taxa de desemprego e volume de vagas, serão divulgados amanhã.

Na BM&FBovespa as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósitos Interfinanceiro (DI) acompanharam a piora do cenário externo e tiveram um dia de volatilidade. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, subiu de 14,63% para 14,82%. Janeiro de 2012 saltou de 13,94% para 14,27% ao ano.

Na campo de inflação, apesar dos últimos dados mostrarem desaceleração, a cautela continua diante da expansão da produção industrial brasileira que reforça a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) irá manter a estratégia de aperto monetário. Para reunião do Copom agendada para o dia 9 e 10 a ala majoritária do mercado estima aumento de 0,75 ponto percentual da Selic, atualmente em 13% ao ano.

Para amanhã os agentes financeiros aguardam a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, que segundo a Gradual corretora deve registrar inflação de 0,30%, contra 0,53% de julho.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)