Brasil poderá crescer menos que países em desenvolvimento neste ano

Agência Brasil

BRASÍLIA - O Brasil encerrará 2008 com crescimento de 4,8% na economia, acima da média de 4,6% projetada para a América Latina, mas abaixo da previsão de 6,4% para os países em desenvolvimento. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Segundo o Relatório para Comércio e Desenvolvimento (TDA, na sigla em inglês), a desaceleração econômica provocada pela crise no mercado imobiliário norte-americano acarretou descompasso entre o crescimento dos países emergentes e das nações desenvolvidas. De acordo com o documento, o Produto Interno Bruto (PIB) dos países ricos se expandirá 1,6% neste ano, quatro vezes menos que os países emergentes.

Na avaliação da Unctad, os países em desenvolvimento, de forma geral, foram pouco afetados pelo desaquecimento econômico global no primeiro semestre. O organismo internacional, no entanto, questionou se essa resistência continuará nos próximos meses.

- A incerteza e a instabilidade nos mercados financeiros, cambiais e de commodities [produtos primários com cotação internacional], somadas às dúvidas sobre a direção da política monetária nos principais países desenvolvidos estão contribuindo para um panorama sombrio para a economia mundial, com riscos consideráveis para os países em desenvolvimento - concluiu o relatório.

Em 2008, destacou o TDA, a economia mundial crescerá 3%, queda de um ponto percentual em relação a 2007. Para o próximo ano, a estimativa é ainda pior. A Unctad prevê que o crescimento mundial poderá cair ainda mais.

Nesse cenário, avaliou o documento, os países em desenvolvimento podem ficar vulneráveis caso o preço das commodities continue a cair. A entidade sugeriu que esses países aproveitem os recursos extras obtidos com a alta dos minérios e dos alimentos para investir em infra-estrutura e em novas cadeias produtivas, diversificando a economia.

- Os economistas da Unctad, enunciando um tema recorrente, aconselham que a maior diversificação e o desenvolvimento industrial é a melhor estratégia de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade ao choque de preços das commodities - ressaltou o documento.