5ª queda leva índice a patamar de agosto de 2007

SÃO PAULO, 4 de setembro de 2008 - A aversão global ao risco levou o índice acionário da BM&FBovespa ao patamar mais baixo desde desde 21 de agosto do ano passado (quando a Bovespa marcou 49.815 pontos). Os temores de que outras economias no mundo - como as da Europa e Japão - estejam à beira da recessão e o forte recuo das blue chips Petrobras, Vale e siderúrgicas levou a praça doméstica a encerrar o quinto pregão consecutivo em queda, desta vez de 3,96%, aos 51.408 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,21 bilhões.

"Ao perder a importante marca de 52.500 pontos, o próximo suporte da bolsa brasileira - na análise gráfica - é aos 48 mil pontos, patamar este de agosto do ano passado, quando teve início a crise do subprime", lembra André Albo, sócio da XP Investimentos.

Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor, também acredita que o índice acionário da BM&FBovespa possa voltar aos 48 mil pontos. "A alta das commodities, e sua conseqüente influência positiva nos principais papéis da Bovespa, foi o fator que levou o índice brasileiro a se descolar das praças norte-americanas no auge da crise".

Mas o forte recuo visto nos últimos três meses, não só da bolsa brasileira mas também de outras praças acionárias mundiais, teve início com a desvalorização das matérias-primas e acabou sendo agravado por notícias de importantes economias mundiais.

O petróleo marcou sua sexta sessão seguida de queda. Daoud explicou que a formação de preços das commodities se dá por fundos especulativos. "Hoje, esses fundos estão saindo de petróleo para cobrir prejuízos em outros investimentos. Com este movimento, ao mesmo tempo que há um exagero na alta, há um exagero na baixa".

Nesta semana, a Eurostat divulgou que o Produto Interno Bruto da Zona do Euro recuou 0,2% no segundo trimestre de 2008, enquanto a expansão da economia no conjunto de países que compõem a União Européia (UE) foi 0,1% menor. Já o PIB do Japão, anunciado dia 13 de agosto, apresentou recuo de 2,4% no segundo trimestre de 2008.

"Não só os Estados Unidos, mas a Europa e o Japão também são consideradas locomotivas econômicas do mundo. Por isso mesmo que uma desaceleração nessas regiões afeta o restante o mundo", explica Albo.

E o mercado doméstico vem sentido essa aversão ao risco. Desde o recorde, aos 73.516 pontos registrados em 20 de maio deste ano, o índice acionário da BM&FBovespa perdeu X%, com base no fechamento de hoje. "O mercado acionário doméstico entrou em uma zona de pânico. Mas, vale lembrar que, principalmente as blue chips deverão continuar apresentando múltiplos postivos", ressalta o sócio da XP Investimentos.

Nesta quinta-feira, não foram só as ações da Petrobras, Vale e siderúrgicas que recuaram forte. BM&FBovespa ON caiu 11,34%, Rossi ON recuou 10,75% e CSN ON apresentou queda de 7,57%.

Em contrapartida, as ações ordinárias das Lojas Renner destoam da tendência baixista desta quinta-feira - com alta de 0,21%. A companhia informou ao mercado que adquiriu 100% das ações da Leader Participações (sociedade holding, titular de 100% das ações da Leader Varejo e 50% das ações da Leader Crédito) por R$ 670 milhões.

(Vanessa Correia - InvestNews)