Custo da habitação sobe, mas comida cai

SÃO PAULO, 3 de setembro de 2008 - O prato de comida do paulistano ficou mais barato em agosto, mas as despesas com habitação aumentaram e devem continuar subindo nos próximos meses, segundo o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), Antonio Comune. "Se por um lado os gastos com alimentação diminuíram, por outro o reajuste da tarifa de energia elétrica e de contas de água e telefonia acabam pesando no bolso de quem mora na capital paulista", destaca o professor.

As despesas com Habitação subiram de -0,09% em julho para 1,03% em agosto, puxadas pelo reajuste da eletricidade que avançou mais de 7% no final de julho, mas só refletiu na conta de agosto. O grupo representou 88,9% do IPC, sendo que somente a tarifa de energia teve peso de 5% no indicador. "Para este mês está previsto aumento de água e telefone, que vão ganhar o lugar de vilões da inflação na cidade", disse

Do outro lado, Alimentação que vinha sendo o foco de pressão saiu de alta de 1,07% para deflação de 0,49%, refletindo o bom comportamento de cereais ( de 0,69% para -3,80%), carnes bovinas (2,80% para -1,52%), panificados (0,34% para -0,64%) e óleo (de 0,07% para -2,41%). "A queda das commodities no mercado internacional teve forte impacto na mesa do consumidor, que passou a pagar menos por grãos e carnes", avalia Comune. No entanto, o economista destaca a influência do preço das aves, especialmente o frango, que saíram de 4,69% para 4,65%. "Apesar de ter amenizado um pouco, ainda é um patamar muito alto. Existe uma tendência de queda sazonal, mas vale continuar monitorando este item", afirma.

Praticamente estável, o grupo Transportes (de 0,32% para 0,29%) refletiu o comportamento dos preços de combustíveis, se por um lado a gasolina caiu de 0,48% para -0,90%, o álcool subiu de 0,49% para 0,93%.

Já as Despesas Pessoais (de 1,19% para 0,75%) só não ficaram menores porque a Souza Cruz, uma das principais fabricantes de cigarro, reajustou em cerca de 5% o preço do produto que impactou com alta de 2,10% nesta categoria. "A influência do aumento dos preços do cigarro só deve diminuir na primeira semana de outubro, até lá o item deve manter pressão sobre o IPC", aposta Comune.

Em agosto, as liquidações de roupas para crianças (-0,71% para -2,02%) ajudaram a puxar a deflação do grupo Vestuário, que saiu de -0,03% para -0,38%.

Ainda vale destaca a queda na taxa de Saúde (de 0,56% para 0,44%). No sentido oposto, Educação teve discreta alta de 0,05% para 0,12%.

O IPC/Fipe subiu 0,38% em agosto, taxa 0,07 ponto percentual menor que a registrada em julho. No ano, o índice acumula alta de 4,66% e, em 12 meses, de 6,35%.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)