Doha atravessa 'momento crítico', diz OMC

JB Online

GENEBRA - O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, alertou, nesta sexta-feira, que as negociações da Rodada Doha atravessam um "momento crítico" e irão fracassar se não houver uma mudança radical na posição dos principais negociadores.

Segundo Lamy, é preciso que os representantes consigam um "rápido progresso, ainda hoje.

- A não ser que as posições mudem, e radicalmente, o acordo que todos vocês vieram fechar aqui esta semana não será possível, com todas as consequências que isso possa implicar - afirmou Lamy, segundo seu porta-voz, Keith Rockwell.

De acordo com o diretor geral, as negociações estão "em um momento crítico" e a aproximação das posições é "dolorosamente lenta depois de uma semana de reuniões a nível ministerial".

- Temos que mudar de marcha para aproveitar o pouco tempo que sobra - enfatizou o diretor em seu alerta aos cerca de 30 ministros reunidos em Genebra.

Lamy espera que Estados Unidos e União Européia melhorem suas ofertas de redução de subsídios e corte de tarifas de importação no setor agrícola.

Ele também pede que os países em desenvolvimento, liderados por Brasil e Índia, sejam flexíveis no capítulo industrial em relação às cláusulas anti-concentração. Lamy espera também maior flexibilidade nos acordos setoriais com os quais se incentivaria um corte mais alto nas tarifas de setores específicos - algo que os americanos querem tornar obrigatório.

Ao chegar à sede da OMC nesta sexta-feira, Celso Amorim voltou a dizer que este é o dia do "vai ou racha".

Ainda assim, o ministro estava bem-humorado. Questionado sobre sua opinião acerca de um possível acordo nesta sexta-feira, Amorim disse que acreditava nessa possibilidade e enfatizou:

- Mas é que eu tenho muita imaginação - brincou.

(Com agências internacionais)