Renda fixa se ajusta a nova Selic e volume cresce

SÃO PAULO, 24 de julho de 2008 - O mercado de renda fixa teve manhã de ajustes nas projeções dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) à nova taxa básica de juros da economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu na véspera acelerar o ritmo de alta e passou a Selic de 12,25% para 13% ao ano. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o contrato de DI para outubro deste ano registrava taxa de 13,07%, contra 12,92% do ajuste, após 664,3 mil transações (R$ 64,8 bilhões).

"O ajuste obrigou muitos agentes a revisar a curva da Selic projetada para 2008, repensando a extensão e a intensidade do ajuste", disse um operador. Para a consultoria LCA, a extensão dependerá, em grande parte, da trajetória dos preços internacionais das commodities e da evolução da atividade econômica doméstica. "O ajuste monetário deverá ser mais rápido, mas não necessariamente mais prolongado", acredita a LCA, citando que havia argumentos suficientes na evolução do quadro internacional e no comportamento doméstico da atividade econômica e da inflação corrente para a adoção de uma postura mais conservadora pela autoridade monetária.

Para a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), a dose de juros foi cavalar, representando o fim de um período de crescimento robusto do PIB brasileiro, em torno de 5% nos últimos dois anos, para um retorno aos desempenhos medíocres, iguais ou inferiores a 3% ao ano, a partir de 2009. "Está claro que a inflação é uma doença que precisa ser controlada, mas o remédio não pode ser apenas a elevação dos juros e, muito menos, uma dose cavalar que ameaça matar o paciente, em vez de curá-lo", destaca a entidade, ressaltando que o correto seria o governo cortar gastos.

Mas para a Associação Nacional das Instituições de Crédito Financiamento e Investimento (Acrefi), a elevação de 0,75 ponto foi essencial para conter pressões de demanda e trazer a inflação para o centro da meta já no próximo ano. "É preciso um arrocho forte na economia, mesmo que doa a curto prazo e volte a comprovar seus benefícios a médio e longo prazos, reduzir e quase zerar a taxa de expansão da moeda, simultaneamente, dando um corte nos gastos correntes do governo em seus três níveis: federal, estadual e municipal", receita o conselheiro econômico da entidade, Istvan Kasznar. Segundo ele, é possível que o Copom continue agressivo nas próximas reuniões. "A Selic pode ultrapassar 14,5% e, quem sabe, chegar a 15% até o fim do ano", alerta.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)