Juros de curto prazo sobem em resposta à nova Selic

SÃO PAULO, 24 de julho de 2008 - A alta de 0,75 ponto percentual na Selic, agora em 13% ao ano, promoveu ajustes mais fortes para cima na curva de juros da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). No fim do dia, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de outubro deste ano, o mais líquido com 727 mil operações, subia de 12,92% do ajuste para 13,06%. Já o prêmio dos vencimentos longos seguiram se ajustando para baixo, puxados pela expectativa de que a aceleração no ritmo de ajuste da taxa resultará em um ciclo de extensão menor. Janeiro de 2012 cedeu de 14,51% para 14,25%.

Na noite de ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu boa tarde do mercado e optou por alargar o passo na condução da política monetária. A corrente majoritária dos analistas contava com alta de 0,50 ponto no juro. "O ajuste obrigou muitos agentes a revisar a curva da Selic projetada para 2008, repensando a extensão e a intensidade do ajuste", disse um operador. A decisão, unânime, também veio acompanhada de comunicado que evidenciou o objetivo do Copom: "Promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas".

Para a corretora Gradual, o ciclo de aperto monetário deve, ao que tudo indica, ser mais curto do que o anteriormente projetado. Mas talvez não em magnitude. "Agora, todos estarão atentos à ata do BC que será divulgada semana que vem, quando esperamos que se possa explicar de forma mais completa o atual movimento", destaca a corretora.

Ainda nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado de julho do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15). O índice desacelerou no mês, com alta de 0,63%, contra avanço de 0,90% no mês anterior.

Para a LCA consultores, o IPCA-15 trouxe indícios tranqüilizadores, mas a desaceleração da inflação seguirá lenta e irregular, uma vez que parte da relevante pressão de custos acumulada na cadeia produtiva ainda está por chegar (ainda que de maneira mitigada) aos preços ao consumidor.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)