Cenário é de desaquecimento e não recessão, diz diretor

SÃO PAULO, 24 de julho de 2008 - As oscilações observadas nos mercados de capitais de diversos países, no início deste ano, são reflexo de um cenário de enfraquecimento da economia global, principalmente, da norte-americana e não de uma recessão, analisa Júlio Martins, diretor da Prosper Gestão de Recursos. 'Não há uma recessão, mas um desaquecimento', indica. 'Ninguém prevê um PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano negativo', completa.

De acordo com o diretor, o avanço no patrimônio dos fundos de investimento em ações (FIA) nos últimos anos é decorrente da entrada de capital dos investidores estrangeiros e pessoas físicas.

A turbulência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é reflexo da crise de subprime na economia norte-americana. 'Foi de lá para cá que ocorreram as volatilidades crescentes. Por isto, os indicadores norte-americanos não vieram muito bons, os balanços dos bancos vieram ruins e os das empresas ligadas a crédito imobiliário também e isto impactou todos os mercados', analisa. 'A sorte é que isto aconteceu em um momento em que os países emergentes estão performando bem', comenta. 'A população do terceiro mundo está entrando em linha de consumo e isto é uma posição que veio para ficar, não é pontual', complementa.

Diante deste cenário, Martins acredita ser este o momento de se posicionar em ações, paulatinamente. 'No curto prazo, o que interessa é o fluxo que pode continuar volátil. Níveis inflacionários crescentes no mercado interno estão prejudicando um pouco o fluxo no curto prazo, tanto para a bolsa, quanto para os fundos', relata. 'Todavia, no final do ano, podemos esperar um cenário mais positivo. Continuamos acreditando em preço de commodities aquecida nos próximos anos', finaliza.

(Angela Ferreira - InvestNews)