Melhora externa impulsiona real

SÃO PAULO, 7 de julho de 2008 - O dólar operou bem próximo da estabilidade durante boa parte da manhã, acompanhando os movimentos do mercado externo e da Bovespa. Mas no fim do período a moeda estrangeira recuou 0,50%, para R$ 1,60 na venda. A valorização da bolsas européias e nova-iorquinas e o recuo do nos preços do petróleo dão suporte a nossa moeda. Lá fora, o barril do "ouro negro" voltou a beirar US$ 141 depois de ter batido US$ 146 na semana passada.

Porém, a valorização do dólar nas praças internacionais exercia pressão por aqui. Os investidores estão atentos à reunião dos paises mais industrializados. O grupo se reúne em meio ao agravamento da turbulência no mercado internacional. No encontro realizado no Japão, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush voltou a defender o dólar valorizado.

Passado o feriado nos Estados Unidos, os investidores também se preparam para a temporada de balanços corporativos. E as projeções não são nada otimistas para o setor financeiro. Segundo agências internacionais, o desempenho trimestral das empresas listadas no S&P 500 deverá ser o pior visto desde 2002, penalizado principalmente pelas instituições financeiras. Neste sentido, a Aracruz deu a largada por aqui de de resultados negativos, ao apontar recuo de 17,7% em seu lucro líquido na passagem anual.

Em relatório, a diretora da AGK corretora, Miriam Tavares destacou que o dólar não deve encontrar espaço para oscilar muito abaixo do patamar de R$ 1,60, principalmente se a moeda americana se mantiver menos enfraquecida em relação às demais moedas. Entretanto, a executiva ponderou que não espera cotações muito acima deste patamar, a não ser que o cenário externo se deteriore de forma ainda mais acentuada, uma vez que o diferencial de juros a favor do Brasil deve permanecer alto e pode aumentar ainda mais se as expectativas de altas mais agressivas na Selic se confirmarem. "Neste contexto, acredito que o dólar deve continuar oscilando entre R$ 1,58 e R$ 1,62", estima.

Daqui a duas semanas os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne e a deterioração nos índices de inflação vem reforçando as apostas de que o aperto monetário deve se intensificar.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)

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