Inflação já afeta projeções para 2009, diz Andima

SÃO PAULO, 7 de julho de 2008 - Integrado por economistas de diversas instituições financeiras, o Comitê de acompanhamento Macroeconômico da Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro) divulgou hoje novas projeções para a economia brasileira em 2008 e 2009. Na avaliação de seus integrantes, o grande desafio nos próximos anos será o aumento da inflação em termos globais, o que certamente resultará em taxas de menor crescimento econômico. "Os mercados emergentes devem buscar não apenas manter os ganhos do círculo virtuoso dos últimos anos, mas também consolidar um ambiente que possibilite uma trajetória de crescimento sustentado a longo prazo", sugere o boletim.

Os cenários indicam uma piora na percepção dos economistas quanto à trajetória de inflação de curto prazo, na comparação com a última reunião do Comitê, em abril.

Houve revisões expressivas dos índices de preços, com aumento do IPCA de 4,76% para 6,32% e do IGP-M de 6,61% para 11,43%. No atacado, as projeções passaram de 7,94% para 12,18% para os produtos industriais, e de 8,19% para 18,83% no caso dos agrícolas. Desta forma, as previsões para a meta da Taxa Selic no final do ano subiram de 13,22% para 14,36%. Esse novo patamar ainda não comprometeria as perspectivas da atividade econômica para 2008, seja pelo crescimento já esperado, fruto da maturação de investimentos, ou por dúvidas quanto aos mecanismos de transmissão de política monetária.

Já para 2009, as projeções indicam reflexos mais claros dessa alta da inflação sobre a atividade, com redução do ritmo de crescimento de 4,2% em abril para 3,8%. A queda na pressão da demanda abriria espaço para que os juros chegassem a 13,84% em dezembro de 2009, além de perspectivas de inflação cadente, embora acima do centro da meta (4,89% e 5,54% para IPCA e IGP-M, respectivamente).

Com relação ao câmbio, a projeção para 2008 registrou alta expressiva, com valorização do real de 2,33% para 6,11%. "Tal movimento é sustentado pela manutenção, ainda que em menor nível, dos resultados positivos do segmento comercial (US$ 23,1 bilhões) e de um aumento do ingresso dos investimentos externos diretos no país (US$ 34 bilhões)", relata. Para 2009, entretanto, os números do Comitê apontam para uma desvalorização da moeda doméstica (4,21%), fruto de queda expressiva do saldo do segmento comercial, que recuaria para US$ 13,2 bilhões.

No que toca ao cenário mundial, o Comitê considera que, apesar da alta dos preços dos alimentos e do petróleo, a dinâmica do processo de ajuste dos países a essa nova realidade será diferente para desenvolvidos e emergentes.

No primeiro grupo, o desafio será a desaceleração da atividade com o processo inflacionário; no segundo, conciliar a inflação externa com eventuais choques de demanda resultantes da expansão do crédito na região. Quanto à economia norte-americana em particular, houve divergências em relação ao timing da retomada do processo de aumentos dos juros pelo Fed, com indicações para o final do ano e início de 2009. Os membros do Comitê entendem que as perspectivas de alta da inflação nos EUA podem ser atenuadas, dadas a ausência de focos na espiral câmbio-salário e a limitação de repasse aos preços pelo menor nível de atividade. Ainda assim, observam que a tendência predominante no cenário mundial nos próximos dois anos será de inflação mais elevada com menor crescimento econômico.

No Brasil, segundo o Comitê, a análise do comportamento da inflação em 2008 tem como dificuldade a diferenciação entre as pressões externas e domésticas. Para parte dos economistas, a existência de focos relevantes de inflação na demanda e na oferta reforça a necessidade de um aumento sistemático de até 75 pontos-base na meta da Taxa Selic, para as reuniões do Copom que ocorrerão no segundo semestre de 2008. Já as previsões de crescimento para 2008 continuaram praticamente inalteradas, em torno de 4,8%.

(Redação - InvestNews)

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