Sem NY, mercado europeu dita rumo do dólar

SÃO PAULO, 4 de julho de 2008 - Em dia marcado pela ausência de negócios nos mercados norte-americanos, em comemoração ao feriado de Independência, investidores são afetados, particularmente, por notícias sobre o setor bancário europeu. Por lá, os principais índices acionários apontam desempenho negativo, também reflexo da queda dos pedidos à indústria alemã.

No mais do mesmo, os temores globais sobre a persistente alta dos preços do petróleo e a inflação influenciam sobre o câmbio. O Goldman Sachs rebaixou a sua recomendação para as ações do setor ligado às matérias-primas. De acordo com a financeira, a preocupação dos investidores com a aceleração da inflação e seu impacto para as companhias deverá pesar sobre a confiança. A notícia elevou a aversão ao risco, mas ainda assim, o dólar cedeu 0,12% no fim da manhã, vendido a R$ 1,609. Isto porque, o feriado traz certo alívio aos negócios.

Para Miriam Tavares, diretora da AGK corretora, a constatação de que diante da deterioração do cenário externo e interno e do conseqüente aumento da aversão ao risco os investidores estrangeiros estão saindo da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o que deve fazer com que o dólar oscile acima do patamar de R$ 1,60 no curto prazo. Só em junho, a bolsa paulista registrou saída de R$ 7,415 bilhões de capital estrangeiro, acumulando saldo negativo de R$ 6,65 bilhões no primeiro semestre de 2008. A saída dos investidores externos, cuja participação é de 35,3% em relação ao volume negociado, faz o Ibovespa a acumular mais de 7% de perdas no ano.

Em relatório, a corretora Gradual analisa que o atual cenário está confuso e a volatilidade é a palavra chave nesses próximos meses. Porém, é certo que os "problemas" não estão exatamente no Brasil. "Apesar da inflação ser um problema no horizonte, as condições macroeconômicas do país estão em relativa estabilidade", frisa.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)

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