O importante é olhar para o longo prazo, diz diretor

SÃO PAULO, 4 de julho de 2008 - O mais importante é olhar para o longo prazo, afirma o diretor de investimentos do UBS Pactual, Cristiano Cury. ´Afinal, estamos falando de previdência. E, previdência é um investimento de longo prazo. Não se pode ficar olhando no curto prazo. É preciso acabar com esta cultura de ficar olhando cota diária, variação mensal. Tem que olhar para 12 meses, 10 anos, que é o objetivo previdenciário´, recomenda.

Para o diretor, esta mudança na óptica sobre os investimentos será decorrente de uma alteração cultura da população. ´É uma situação em que a própria população está começando a se habituar em decorrência da estabilidade. As pessoas estão conseguindo poupar um pouquinho mais. O Brasil está crescendo, a renda está crescendo e as pessoas estão tendo até a possibilidade de poupar´, comenta. ´A conseqüência disto é que tem-se visto recordes e mais recordes de vendas dos bancos para produtos de previdência aberta. Esta cultura previdenciária realmente está se expandindo no Brasil. E, é a cultura também de olhar para o longo prazo, que o brasileiro está começando a se adaptar, basta analisar os investimentos em bolsa (Bovespa - Bolsa de Valores de São Paulo) do investidor pessoa física, que, praticamente, duplicou a alocação em bolsa se olharmos historicamente´, completa.

A metodologia de pensar no longo prazo também está começando a fazer parte da rotina dos gestores dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de Estados e Municípios, afirma Cury. ´Dos últimos 20 anos pra cá o Brasil teve a história de uma taxa de juros muito elevada. Tanto fundos de pensão, quanto os regimes próprios de previdência ou fundos previdenciários que tem um passivo atuarial atrelado a índice de preços, como IGP-M (Índice Geral de Preço - Mercado) ou IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), normalmente, mais 6% de juro real. Até aquele momento, estes institutos não tinham dificuldade de bater esta meta porque, com a taxa de juros de 20% ou 30%, era fácil. Se você ficasse no produto mais conservador já conseguiria cumprir, com gordura, seu compromisso atuarial, o que não acontece hoje em dia. Hoje, para bater a meta atuarial é preciso diversificar um pouco mais os investimentos´, aconselha o diretor que afirma que, mesmo com a taxa Selic subindo, a expectativa é de queda para o médio e longo prazo.

(Angela Ferreira - InvestNews)

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