Clima tenso mantém dólar em alta

SÃO PAULO, 3 de julho de 2008 - Não bastasse o tenso cenário econômico, a temporada de balanços e os repiques inflacionários alimentam um quadro nebuloso para as bolsas de valores, com reflexo no câmbio. No fim do dia, o dólar subiu 0,50%, vendido a R$ 1,611.

Renato Schoemberger, operador da Alpes Corretora ressalta que o câmbio ensaiou recentemente trabalhar abaixo do piso de R$ 1,60, mas as saídas das bolsas e a piora externa reverteram este quadro. De acordo com números da Bovespa, o saldo líquido das negociações feitas por estrangeiros no mercado acionário brasileiro teve saída líquida de R$ 7,41 bilhões em junho - a maior da série histórica iniciada em janeiro de 2000.

Seguido pela piora externa, o comportamento do petróleo, que não dá sinais de alívio, intensifica os receios com a inflação e também prejudica os negócios. O preço do óleo voltou a bater novo recorde, acima de US$ 146 em Londres e Nova York. Analistas seguem convictos que o barril chegará a US$ 150 nos próximos dias, com a chegada das férias de verão no hemisfério norte.

Na luta pela inflação, o Banco Central Europeu (BCE) saiu na frente e elevou o juro básico para 4,25% ao ano. Em discurso, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet avaliou que a alta de 0,25 ponto será suficiente para conter as pressões inflacionárias.

Para os analistas da corretora Gradual, essa alta na Europa torna a condução da política monetária em escala global mais apertada. "Com a expectativa de juros em alta na zona do euro, pressões sobre o mercado financeiro, que vive condições de crédito interbancário deterioradas, e os desdobramentos na cotação do dólar versus o euro, colocam o Fed em posição difícil", destacam. Todos sabem que o temor de recessão nos EUA deve impedir que o Fed eleve o juro no mesmo ritmo que os bancos centrais europeus. "Por isso, a expectativa é de que dólar siga enfraquecido no mercado internacional", finalizou Schoemberger.

Em Wall Street, o pregão já chegou ao fim e permanecerá fechado amanhã, por conta do feriado de 4 de julho. Os índices encerraram em direção opostas, com Dow Jones subindo 0,65% e a bolsa eletrônica Nasdaq perdendo 0,27%. Os investidores reagiram aos dados sobre o mercado de trabalho. O relatório de junho apontou corte de 62 mil vagas e estabilização da taxa de desemprego em 5,5%. Já o índice que mede a atividade do setor de serviços registrou queda de 3,5 pontos em junho, para 48,2 pontos, indicando retração da atividade depois de dois meses seguidos de crescimento no setor.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)

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