Investidor adota cautela em dia de agenda cheia

SÃO PAULO, 25 de junho de 2008 - Em dia de agenda cheia, o investidor preferiu adotar a cautela e ajustou a curva de juros futuros que, após dois dias de queda, voltou a subir repercutindo o resultado acima do esperado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de junho, que reportou alta de 0,90%, superior a 0,56% de maio, e também acima das projeções do mercado, que segundo sondagem realizada pela InvestNews esperava aceleração da inflação entre 0,75% e 0,80% neste mês.

Por outro lado, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) desacelerou para 1,06% na terceira quadrissemana de junho, colado ao piso das previsões do mercado.

Analistas ressaltam que as pressões inflacionárias estão afetando a confiança do consumidor, que caiu 6,5% em junho, após ter registrado alta de 2% em maio.

As atenções ficaram voltadas também para o Relatório Trimestral de Inflação de junho, divulgado pelo Banco Central (BC) pela manhã, confirmando que a inflação deve superar o centro da meta (4,5%), em 2008 e 2009. Segundo o documento, o IPCA pode acumular alta de 6% em 2008, ante previsão de 4,6% contida no documento de março. A inflação de 2009 também foi elevada, saltando de 4,4% para 4,7%. Já a meta de inflação fixada para 2008 e para o próximo ano é de 4,5%, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

Para a economista-chefe da Arkhe DTVM, Inês Filipa, o Relatório de Inflação veio similar com a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reforçando as expectativas de que novas elevações na taxa Selic serão necessárias até o final do ano. No entanto, a economista ressalta que o documento veio mais ameno do que o esperado, o que fez com que refizesse suas projeções em relação ao rumo da taxa Selic, fixada em 12,25% ao ano. Inês que estimava 14,50% ao ano para a taxa em dezembro passou para 14,25% ao ano. Já para o IPCA a economista estima 6,54%.

Diante de um quadro de inflação acelerada os contratos de DIs negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) fecharam em alta. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, apontou taxa anual de 14,81%, ante 14,76% do ajuste anterior.

No front externo, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manteve inalterada a taxa básica de juros em 2% ao ano, confirmando a expectativa da grande maioria dos analistas.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)