Dólar fecha abaixo de R$ 1,60 pela 1ª vez em nove anos

SÃO PAULO, 25 de junho de 2008 - Pela primeira vez desde 1999 o dólar rompeu o piso de R$ 1,60. Com depreciação de 10,4% acumulada neste ano, o dólar encerrou o pregão vendido a R$ 1,592. A queda de 0,62% - a sexta em oito sessões - manteve a moeda no menor patamar desde 20 de janeiro de 1999.

Para Paulo Fujisaki, analista da corretora Socopa, não há no horizonte de longo prazo fatores que promovam a reversão de tendência de desvalorização do dólar. E este comportamento está baseado em fundamentos macroeconômicos globais, como o movimento de apreciação das commodities.

"Por aqui, a moeda continuará se enfraquecendo contra o real, independente da desaceleração do fluxo comercial, que deve ser compensado pelo canal financeiro", comentou Fujisaki. O analista explica que o comportamento ascendente da nossa taxa de juros, nos atuais 12,25% ao ano em comparação com a norte-americana de 2% mantém extremamente atraente as operações de arbitragem. A estimativa é de que a Selic termine o ano entre 14% e 14,25%.

Fujisaki chama a atenção para o reforço nos ingressos de IED (investimento estrangeiro direto) no Brasil após a obtenção do grau de investimento por duas das principais agências de classificação de risco. "Mas enxurrada de dólares que o mercado estava esperando não começou a todo vapor, mas já deu mostras de que está acontecendo, principalmente via bolsa", disse. "E a tendência é de que cedo ou tarde, a Moodys também eleve o rating do País o que pode fazer com que o dólar busque R$ 1,50", estima.

Este movimento de queda não tem se restringido ao real. O dólar vem perdendo valor pelo mundo. Na Europa, a expectativa de elevação no juro na zona do euro em julho derrubou o dólar frente à moeda única.

Apesar dos bons fundamentos econômicos, o analista da Socopa alerta para o fato do Brasil não estar preparado para ter crescido tão rápido. O que evidencia esta análise é o comportamento da inflação. O relatório Trimestral divulgado nesta manhã mostrou projeções mais altas do BC para a variação do nível geral de preços em 2008 e 2009.

Nos EUA, o Comitê de Política Monetária (Fomc) interrompeu a série de cortes iniciado desde setembro e manteve a taxa de juros em 2%. Em seu comunicado pós-reunião, o colegiado de diretores do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sublinha ter expectativas de que a inflação entre em ritmo mais moderado nos próximos meses. A autoridade monetária reconhece, no entanto, que a alta dos preços de energia e de outras commodities mantêm em nível elevado a incerteza sobre o panorama inflacionário.

Mas a crise internacional, que afetou consideravelmente os mercados acionários, especialmente nas primeiras semanas do ano, continua não representando uma mudança de rota para o dólar: que atingiu a cotação máxima em 2008 de R$ 1,83 em 21 de janeiro.

O BC realizou seu habitual leilão de compra e desta vez, fixou taxa de corte de R$ 1,60.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)