Ásia em alta; Mercados aguardam pela decisão do Fed

SÃO PAULO, 25 de junho de 2008 - A maioria das bolsas acionárias na Ásia fechou em alta nesta quarta-feira, apesar do sentimento de cautela predominar entre os investidores da região. Além de fatores locais, as atenções giraram em torno da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), dos Estados Unidos, que decidirá ainda hoje sobre uma possível manutenção da taxa básica de juros norte-americana.

O índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 0,14%, para 13.829,92 pontos. O indicador Kospi de Seul avançou 0,40%, para 1.717,79 pontos. Em Hong Kong, o índice referencial Hang Seng subiu 0,80%, para 22.635,16 pontos. Já na China, o indicador Xangai Composto apresentou ganho de 3,64%, para 2.905,01 pontos.

Os investidores asiáticos seguem preocupados com os rumos da economia dos EUA, principal destino das exportações da região. Ontem, o Conference Board divulgou queda no índice de confiança do consumidor norte-americano, que passou de 58,1 pontos em maio (dado revisado), para 50,4 pontos, atingindo a quinta menor pontuação da história.

Além disso, a ameaça da inflação também eleva as expectativas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) atue, apesar do desaquecimento na maior economia do mundo. Para a reunião do Fomc, a maioria dos analistas asiáticos ainda projeta que a autoridade monetária norte-americana manterá inalterada a taxa básica de juro, atualmente fixada em 2% ao ano.

Em Tóquio, o volume de negócios foi baixo nos pregões locais. Os investidores venderam ações do setor exportador, em meio aos temores de um possível enfraquecimento nos dados do setor de imóveis nos Estados Unidos, que serão divulgados hoje, sugerindo uma perspectiva ruim para a economia norte-americana.

Entre as companhias do setor automotivo, os papéis da Toyota caíram 1,34%, enquanto os da Mazda perderam 1,80%. Já entre as empresas de tecnologia, os títulos da Sony apresentaram baixa de 1,60%, enquanto os da Canon diminuíram 0,54%.

Destaque também no mercado nipônico para o Shinsei Bank, primeiro banco japonês adquirido por investidores estrangeiros, que realizará uma recompra de papéis avaliada em 20 milhões de ienes (US$ 185 milhões). Hoje, a negociação dos títulos da entidade financeira foram suspensos no pregão.

Na Índia, a sessão foi influenciada pela decisão do Banco Central de elevar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 8,5% ao ano, com o intuito de controlar a inflação, que atingiu o maior patamar dos últimos 13 anos. Há instantes, o índice BSE Sensex 30 da Bolsa de Mumbai operava com alta de 0,80%, aos 14.220,07.

Na Coréia do Sul, os mercados locais operaram em alta, apesar da queda no Índice de Confiança do Consumidor, que recuou pelo terceiro mês consecutivo devido à aceleração da inflação e desaceleração no crescimento da economia, segundo apontou hoje uma pesquisa do Banco da Coréia (BoK, central).

Em Hong Kong, a sessão foi curta nesta quarta-feira, com duração de apenas 2 horas. No início do dia, a abertura foi suspensa por conta da tempestade tropical Fengshen, que atingiu hoje a província após passar pelas Filipinas na semana passada. O não funcionamento dos mercados é um procedimento padrão adotado quando o alerta de "sinal 8" é levantado pelo governo.

Nas operações eletrônicas da Ásia, o barril de petróleo norte-americano encerrou o dia cotado a US$ 137,19, registrando avanço de US$ 0,19 frente ao último fechamento em Nova York. A alta é impulsionada pelas preocupações com a oferta da commodity, pelas tensões no Oriente Médio e pelas expectativas de queda nos estoques de petróleo nos Estados Unidos.

(Marcel Salim - InvestNews)