Afinidades aproximam Brasil e Índia

Etiene Ramos, JB Online

NOVA DELHI - A Índia e o Brasil não pretendem manter apenas relações comerciais e diplomáticas. Com climas tropicais, os dois países procuram a sustentabilidade das florestas e um desenvolvimento que não afete o meio ambiente, garantiu o embaixador do Brasil na Índia, Marco Antonio Brandão, ao abrir ontem, em Nova Delhi, o seminário Florestas do Brasil, promovido pela Fundação Gilberto Freyre e a MRSA Consultoria, ambas com sede em Pernambuco.

A Índia tem uma séria política ambiental e precisa conservar ainda mais suas florestas, porque já atingiu o limite de desmatamento afirmou Brandão.

Segundo o embaixador, como grande produtor mundial de açúcar, a Índia, que já realiza experiências de biocombustíveis a partir do pinhão manso, e, como o Brasil, tem condições de produzir etanol, que poderá ser mais uma alternativa para o país que já detém a bomba atômica, compra aviões da Embraer e receberá uma segunda fábrica da brasileira Marcopolo, fornecedora de ônibus.

A apresentação de algumas das experiências públicas do Brasil na área ambiental realizadas na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica do Brasil, durante o Seminário Florestas do Brasil, mostrou avanços que poderão ser adotados na Índia.

Embora os dois países tenham responsabilidades diferentes frente ao Protocolo de Kioto, segundo o embaixador, afinam suas relações visando à defesa dos seus recursos ambientais a partir de problemas semelhantes, como os incêndios.

Representante do governo do Amazonas, Felipe Wardolff ressaltou que o Estado, apesar das críticas internacionais de que não cuida da Amazônia, é uma referência nacional e internacional na formulação de políticas ambientais e de desenvolvimento sustentável.

O Amazonas é o primeiro Estado no mundo a ter uma lei para as mudanças climáticas e um fundo para esta finalidade, com R$ 20 milhões de recursos estaduais e outros R$ 20 milhões do Bradesco disse Felipe Wardolff, ao garantir que 98% da floresta estão conservadas.

Para o presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, Clayton Lino, o combate à pobreza é também uma forma de preservação ambiental.

Miséria não combina com conservação. Precisamos pensar em programas e projetos que consideram as questões ambientais e socio-economicas. Para o equilíbrio, tem que haver as duas visões afirmou Lino, citando o Mercado Mata Atlântica.

Representante do MaB (Man and the Biosphere), da Unesco, que delimitou sete reservas no Brasil, num total de 1,4 milhões de quilômetros quadrados, ou 16% do território nacional, o Conselho da Mata Atlântica, com sede em São Paulo, defende o bioma mais atingido pelo desenvolvimento no país.

Parceira do projeto Florestas do Brasil, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, foi representada pelo professor Warwick Manfrinato que mostrou panorama dos atuais e futuros problemas ambientais do mundo e as soluções que vêm surgindo com os créditos de carbono e protocolo de Kyoto.

Repórter viajou a convite da Fundação Gilberto Freyre