Índice cai 0,73% a reboque de praças dos EUA

SÃO PAULO, 24 de junho de 2008 - Os principais mercados acionários mundiais operaram, nesta terça-feira, em compasso de espera da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), dos Estados Unidos, que definirá o rumo da taxa básica de juros norte-americana. Depois de abrir a sessão em queda e mostrar recuperação no início da tarde, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acabou cedendo às pressões negativas e encerrou o dia em queda de 0,73%, aos 64.167 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,26 bilhões.

"A bolsa paulista operou totalmente atrelada às praças acionárias de Wall Street. Durante a tarde, o índice ganhou força, principalmente puxado pela valorização das ações da Vale. Estas, por sua vez, foram afetadas positivamente pelo reajuste, em mais de 90%, do minério de ferro da Rio Tinto para a chinesa Boasteel. A notícia só reforçou a perspectiva de que a Vale tem um mercado forte e pode recuperar os preços do minério de ferro no ano que vem", explica Pedro Galdi, analista da SLW Corretora.

A queda do índice só não foi maior em função da leve desvalorização dos papéis da Petrobras - puxada pela alta do preço do petróleo no mercado internacional - e da apreciação dos papéis da Vale, que subiram 1,47% os preferenciais série A, e 1,78% os ordinários.

"Os mercados não estão performando bem este mês. Então, assim que este período crítico acabar, a safra de balanços internos terá início e com ele, a bolsa paulista pode ganhar algum fôlego já que a expectativa para algumas empresas é bastante positiva", completa o analista da SLW Corretora.

No front externo, o mercado registrou forte volatilidade durante o dia, na expectativa da decisão do FomC sobre a taxa básica de juros. A grande maioria dos analistas aposta em manutenção da taxa em 2% ao ano (a.a). Porém, o que centra as atenções é o pós-reunião, com uma possível sinalização do fim do afrouxo monetário.

A divulgação de alguns indicadores econômicos, notícias corporativas externas e a alta do preço do petróleo no mercado internacional também contribuíram para o sentimento de cautela dos investidores. O indicador norte-americano que mais pesou foi a confiança do consumidor, medido pelo Conference Board. O índice reportou declínio de 58,1 pontos em maio (dado revisado) para 50,4 pontos, registrando a quinta menor pontuação da história.

Dentre os destaques positivos do Ibovespa estão Cyrela Commercial Properties ON, que subiu 3,65%, a R$ 11,35; Copel PNB, que avançou 2,84%, a R$ 30,75; e Bradespar PN, que registrou alta de 2,82%, a R$ 43,70. No sentido oposto, JBS ON recuou 5,96%, a R$ 8,20; Rossi ON registrou queda de 4,06%, a R$ 12,28; e Lojas Renner ON caiu 3,95%, a R$ 30,35.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o Ibovespa com vencimento em agosto registrou queda de 0,95%, a 65.020 pontos.

(Vanessa Correia - InvestNews)