Exploração de áreas de petróleo impulsiona indústria naval

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RIO - A política do governo brasileiro de privilegiar estaleiros locais, aliada aos programas agressivos de exploração das novas áreas de petróleo e gás, está dando grande fôlego para o desenvolvimento da indústria naval brasileira.

O setor tem atraído investidores locais e do exterior e se prepara para testar esta semana, durante a feira Navalshore 2008, o impacto do aumento de encomendas no país e os possíveis novos estaleiros que serão construídos para atender essa demanda.

Até mesmo os experientes coreanos, segundo maiores produtores de navios do mundo, vão aportar pela primeira vez na feira que terá ainda suecos e noruegueses entre os participantes. A área vendida foi 10% superior à do ano anterior e mais 15 empresas estarão presentes, no total de 130.

- Este ano teremos participação de empresas estrangeiras que estão vindo para sentir o mercado e prospectar oportunidades. No caso dos coreanos, são produtores de peças de navio que não têm mais espaço por lá, querem construir aqui para a Transpetro e exportar também -afirmou a diretora da revista Portos e Navios, Rosângela Vieira, organizadora do evento.

De Eike Batista ao governo da Bahia, ninguém quer ficar de fora de um negócio que no mínimo contará com os já anunciados US$ 100 bilhões nos próximos 10 anos em encomendas da Petrobras, entre navios, plataformas e sondas.

No final de maio, a estatal anunciou a encomenda de 23 navios petroleiros, além dos 26 que já haviam sido contratados, e mais 146 navios de apoio e 40 sondas.

A Petrobras pretende explorar as reservas gigantes da região pré-sal, uma área que se estende por 800 quilômetros em águas ultraprofundas do litoral do Espírito Santo até Santa Catarina, utilizando o máximo de conteúdo nacional possível em seus equipamentos, como determinou o governo brasileiro.

Também visando consumo próprio, o dono da OGX, Eike Batista, pretende construir dois estaleiros para fabricar os equipamentos que serão usados na exploração de áreas adquiridas na nona rodada de petróleo do governo, no ano passado. O empresário disse recentemente que deverá fazer parceria com a norte-americana Dynamics e a dinamarquesa Maersk.

- Ele está olhando três locais e deve fechar com as empresas um no Sul e outro no Sudeste - disse uma fonte próxima da negociação.

Inscrito de última hora no Navalshore, o governo do Estado da Bahia também já manifestou interesse em atrair estaleiros para o Estado. A construtora OAS é uma das candidatas em parceria com o grupo Setal, assim como a GDK e a Engevix, todas ligadas ao setor de construção.

Outras construtoras como Odebrecht, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão também estão investindo na área e já anunciaram empreendimentos, sendo estas duas últimas parceiras no Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, e a primeira afirmou ter intenção de fazer um ou mais estaleiros, mas sem definir o local.