Expectativa com indicadores reduz negócios

SÃO PAULO, 24 de junho de 2008 - Diante de um quadro de incertezas em relação ao rumo da inflação e dos juros no Brasil, os investidores aguardam com ansiedade a divulgação do Relatório de Inflação pelo Banco Central (BC), na quarta-feira, quando também sai o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de junho. Frente a essa expectativa, os negócios ficaram reduzidos na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e a maioria das projeções de juros dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) fechou sinalizando leve queda. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, apontou taxa anual de 14,79%, ante 14,83% do ajuste anterior.

Pela manhã foi informado que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) recuou em seis das sete capitais sondadas e isso contribuiu para a queda na curva de juros futuros.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, lembra que os alimentos têm sido considerados os principais responsáveis pela volta da inflação. Entretanto, o economista ressalta que, outras fontes de pressão inflacionária também forçam os índices de inflação para cima. O IPCA de maio registrou o maior índice de difusão desde o início de 2005, comprovando que a pressão inflacionária vai além da alta dos preços dos alimentos, refletindo, provavelmente, o crescimento do consumo acima da capacidade de oferta da economia. Em maio o IPCA ficou em 0,79%.

Rosa projeta inflação de 0,78% para o IPCA-15 que será divulgado amanhã. No mês passado, o indicador registrou inflação de 0,56%. Os alimentos continuarão como principal fonte de pressão sobre o índice, motivado pela elevação dos preços da carne e retomada da alta do feijão. Por outro lado, o enfraquecimento da alta dos serviços bancários e a saída dos impactos restante do reajuste dos remédios contribuiram para moderar a alta do índice no período.

Decorrente à deterioração das expectativas de mercado para o IPCA uma ala do mercado espera uma aceleração no ritmo de alta dos juros. A economista-chefe da Arkhe DTVM, Inês Filipa, estima aumento de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, atualmente 12,25% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de julho, para as reuniões restantes (setembro, outubro e dezembro) a economista prevê aumento de 0,50 ponto em cada, com isso a Selic chegaria a 14,50% no final de 2008.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)