Espera por Fomc traz cautela aos negócios

SÃO PAULO, 24 de junho de 2008 - O mercado de câmbio opera em clima de expectativa, no aguardo da decisão do Comitê Federal para o Mercado Aberto (Fomc) dos Estados Unidos sobre os juros. Na reunião de amanhã, há consenso de que a taxa será mantida nos atuais 2% ao ano, por isso, a expectativa gira em torno do conteúdo do comunicado do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que deverá apresentar tom um pouco mais confiante em relação à superação da crise financeira e revelar maior apreensão quanto à trajetória da inflação.

Em relatório, a consultoria LCA destaca que este nível de juros representa uma taxa real negativa, se levado em conta que a expectativa de inflação de longo prazo, embutida na remuneração dos papéis públicos indexados a índices de preços, é da ordem de 2,5% ao ano.

Há pouco, o dólar comercial estabilizava-se, cotado a R$ 1,612 na compra e R$ 1,614 na venda. A moeda estrangeira deve oscilar com ligeiras variações, acompanhando o movimento do dólar no mercado internacional. Mas a perspectiva de continuidade dos ingressos de recursos, em busca dos altos juros pagos em reais, mantém a tendência de apreciação do real.

Amanhã, o Banco Central (BC) divulga o Relatório Trimestral de inflação. O documento também é aguardado com ansiedade pelo mercado, pois condicionará as expectativas para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado segue dividido quanto ao tamanho do aumento da Selic. "Nas últimas semanas, a intensificação das pressões de custos e a persistente deterioração das expectativas inflacionárias sugerem que o BC poderá acelerar o ritmo de elevação da taxa de juros básica. Em contrapartida, o câmbio em apreciação e os sinais de que a atividade econômica está desacelerando pedem cautela no processo de ajuste da taxa básica de juros", avalia a LCA. As apostas variam entre elevação de 0,50 e 0,75 ponto percentual.

Hoje, as atenções estão direcionadas para a agenda norte-americana. Logo mais, será apresentado o índice de confiança do consumidor do Conference Board e o índice de atividade industrial do Federal Reserve de Richmond.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)