BNDES investirá R$ 1 bi na recuperação de áreas agrícolas

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SÃO PAULO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinará 1 bilhão de reais em um programa inédito de recuperação de áreas degradadas para a produção de alimentos, revelou nesta terça-feira o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

O plano integra um programa do governo para elevar a produção agrícola e amenizar os efeitos inflacionários causados pelo aumento de preços dos principais produtos.

- O BNDES vai trazer contribuição para o novo Plano Safra, vai colocar 1 bilhão de reais para a recuperação de áreas degradadas, a juros negativos. É a primeira vez que isso acontece - afirmou o ministro a jornalistas, após sua palestra no seminário "Perspectivas para o Agribusiness 2008 e 2009".

O programa de recuperação de áreas degradadas deve ter juros de 5,75 por cento ao ano, contra uma inflação prevista pelo ministro em 6 por cento.

- Daí os juros negativos - disse.

Ele destacou que esse tipo de financiamento normalmente tem taxas de 9 por cento ao ano.

Durante a sua palestra, Stephanes lembrou que o Brasil conta com uma área de pastagem, bem utilizada ou não, em torno de 210 milhões de hectares, quatro vezes mais do que a atual área plantada no país.

Ele trabalha com a possibilidade de elevar o plantio no país em cerca de 70 milhões de hectares apenas com áreas não utilizadas adequadamente para a agropecuária.

Segundo ele, a medida também tem o objetivo de evitar o desmatamento para a expansão agropecuária. "Não precisamos derrubar árvores, precisamos melhorar as terras que temos", acrescentou.

O ministro afirmou ainda que o governo deverá manter em 6,75 por cento ao ano os chamados juros controlados, a principal taxa de financiamento agrícola, que foi reduzida no ano passado pela primeira vez desde 1998. A anterior era de 8,75 por cento ao ano.

O volume de recursos que poderá financiar a safra a juros controlados, segundo o ministro, será proporcionalmente maior do que o registrado na temporada 2007/08, quando 36,4 bilhões de reais, do total de 58 bilhões de reais, foram financiados com a taxa mais baixa.

Para o Plano Safra 2008/09, o ministro prevê um montante de recursos para financiamento entre 65 e 68 bilhões de reais, o que representaria um aumento para a agricultura comercial de pelo menos 7 bilhões em relação a 2007/08.

O ministro não detalhou o volume de recursos do próximo plano que será liberado a juros controlados:

- Será bem superior ao do ano passado. Ainda não fechamos a conta, mas a conclusão é que será maior.

O Plano Safra será lançado oficialmente, com todos os detalhes, em 2 de julho.

Com mais recursos para financiar a safra e preços mais altos, a área plantada com grãos deverá crescer, apesar do aumento dos custos, especialmente com fertilizantes.

- Praticamente vamos recuperar a área que plantamos há três anos. Cresceremos de 2 a 3 milhões de hectares - disse ele.

A área plantada com grãos em 07/08 foi de cerca de 47 milhões de hectares.

Segundo ele, com esse aumento de área, em condições climáticas normais, o Brasil poderá elevar a sua produção total de grãos para entre 148 e 150 milhões de toneladas, contra 143 milhões em 07/08.