Investidor está mais exigente e cauteloso

SÃO PAULO, 23 de junho de 2008 - O investidor que aplica em fundos de investimento está ficando muito mais exigente e cauteloso, na opinião de Fernando Marsillac Fontes, diretor da Petra Corretora, que atualmente administra 17 Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDCs), a maioria no segmento de fomento mercantil. "O investidor está muito profissionalizado", diz Fontes.

De acordo com o diretor, há dois tipos de investidores: um que segue a moda e outro mais cauteloso, que se informa antes de investir. "Há momentos em que todo mundo quer comprar imobiliário e tem momentos em que ninguém quer comprar imobiliário. É um negócio meio movimento de manada", analisa.

A outra situação é que há riscos em que o mercado não conhece bem. Um bom exemplo são os investimentos no agronegócio que, embora tenha um potencial muito grande no Brasil, o investidor não tem muito conhecimento sobre este tipo de produto. "Os títulos são de prazo longo, como é que o produtor vai se comportar na ocasião da colheita? Será que vai chover? Será que vai ter geada? Será que o preço da commodities vai cair?", questiona Fontes.

Ainda segundo o diretor, existem variáveis que estão levando o investidor a ter muito mais dedicação na análise e no entendimento do risco, do que, simplesmente, olhar o retorno apresentado no prospecto e o rating que foi obtido na operação. "O investidor entende que existem riscos intrínsecos que estão fora do contexto de uma atribuição de rating, e ele quer entender hoje o que são", afirma, acrescentando que o investidor tem de passar por um processo de educação para cada categoria - o que já ocorreu no caso do consignado.

"Novas categorias estão surgindo, como o do agronegócio e o investidor vai ter que passar por uma curva de aprendizado para dominar a ciência do agro, os riscos e dizer: eu estou confortável! Aí, ele mesmo vai precificar estes papéis", analisa Fontes. Para o especialista, o investidor mais qualificado hoje está precificando a operação de acordo com os seus conceitos de risco, com a sua estrutura de análise "muito mais do que comprando um produto pronto e empacotado", indica.

(Angela Ferreira - InvestNews)