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Ásia encerra semana em alta; Inflação centra atenções

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SÃO PAULO, 6 de junho de 2008 - As praças acionárias na Ásia encerraram a semana em alta, impulsionadas pela divulgação de dados melhores que o esperado nos Estados Unidos, principal destino das exportações asiáticas. A valorização do dólar e do euro no mercado de divisas internacional também colaborou para os ganhos na região, enquanto as petrolíferas e siderúrgicas eram beneficiadas pelos avanços nos preços das commodities.

O índice Nikkei 225 de Tóquio subiu 1,03%, para 14.489,44 pontos. Em Hong Kong, o índice referencial Hang Seng avançou 0,61%, para 24.402,18 pontos. Já na China, o indicador Xangai Composto apresentou queda de 0,66%, para 3.329,67 pontos. As bolsas na Coréia do Sul e Malásia não operaram hoje por conta do feriado local.

A divulgação de dados econômicos melhores que o esperado nos Estados Unidos trouxe alívio ao investidores asiáticos. Ontem, o Departamento de Trabalho norte-americano informou que os pedidos de seguro-desemprego (Initial Claims, em inglês) apresentaram recuo de 18 mil solicitações na semana encerrada no dia 31 de maio, com ajustes sazonais. O número de pedidos foi 357 mil (dado revisado), contra 375 mil no último relatório.

Além disso, os dados publicados pelo setor varejista norte-americano também animou os investidores. O Wall Mart reportou que as vendas totais em maio somaram US$ 31 bilhões, ante os US$ 28,2 bilhões observados no mesmo período de 2007, registrando elevação de 9,8%.

Na Ásia, as companhias exportadoras e varejistas foram beneficiadas, impulsionadas também pela valorização do dólar e do euro no mercado de divisas internacional. Em Tóquio, a moeda norte-americana encerrou o dia cotada a 106,03 ienes, contra 105,89 ienes da última sessão. Já o euro fechou negociado a 165,36 ienes, ante 163,47 ienes observados no dia anterior.

As ações da fabricante de vestuário Fast Retailing subiram 4,72%, enquanto no setor de tecnologia os papéis da Canon, Kyocera e Sony avançaram 1,06%, 2,87% e 1,11%, respectivamente. Já entre as companhias automotivas, os títulos da Honda cresceram 1,31%.

As empresas produtoras de energia também registraram ganhos, graças aos avanços nos preços das commodities. Os operadores deixaram de lado suas preocupações sobre a demanda de combustíveis e focaram suas atenções na valorização do dólar e do euro. Nas negociações eletrônicas da Ásia, o barril norte-americano encerrou o dia cotado a US$ 128,70, valor US$ 0,91 maior frente ao observado no último fechamento em Nova York.

Entre as petrolíferas, as ações da japonesa Inpex Holdings cresceram 4,00%, enquanto as da australiana Woodside Petroleum avançaram 3,33%. Os papéis da PetroChina em Hong Kong registraram ganho de 1,28%. Já os títulos da Nippon Oil apontaram alta de 3,31%.

Nas duas últimas semanas, as preocupações sobre o avanço da inflação nas economias da Ásia centrou as atenções dos investidores. Eles temem que os altos custos do petróleo e dos alimentos provoquem um aumento nos preços de produtos, ocasionando a queda nos gastos dos consumidores e nos lucros corporativos.

Na Índia, o governo divulgou hoje que a inflação no país cresceu para 8,24%, na semana encerrada no dia 24 de maio, ante 8,1% registrados na semana anterior. O resultado é o maior em três anos e meio.

Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), já alertou que o aumento da inflação a longo prazo - principalmente devido à elevação nos custos do petróleo e dos alimentos - é uma "preocupação significativa" para a economia global. Já o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, indicou que os riscos para a estabilidade dos preços criaram um "estado de alerta".

(Marcel Salim - InvestNews)