Veículos a GNV dividem mercado com biocombustíveis

JB Online

RIO - A poluição nos grandes centros urbanos vai exigir uma política de curtíssimo prazo no Brasil para a redução da emissão de poluentes, que pode ser definida pela fabricação de veículos pesados a gás natural veicular (GNV) e de biocombustíveis (diesel-gás). É o que sugere o consultor de GNV Antônio Bermudo, palestrante do painel 'Último Progresso Tecnológico e Tendências do GNV', apresentado no 11º Congresso Mundial de GNV, que acontece no Rio de Janeiro até esta quinta-feira.

Bermudo ressaltou que fornecedores e montadoras vão precisar de grande integração para produzir os carros a gás. Atualmente, o Fiat Siena é o único automóvel de fábrica movido a GNV. Dos combustíveis para uso veicular, o gás tem uma fatia de 3,4%. O pico de conversões para gás ocorreu em 2006, com 280 mil automóveis modificados.

- No Brasil, 68% dos veículos a GNV usam sistema de segunda geração, utilizado no Rio de Janeiro; 30%, de terceira geração; e 2%, de quinta geração, que deve ser o único sistema adotado para os novos carros - detalha Bermudo.

A frota brasileira de GNV é superior a 1,5 milhão de veículos, que contam com mais de 1.500 estações de abastecimento, concentradas no Rio e em São Paulo. Os carros flex somam mais de 6 milhões.

Luis Verginelli, representante da Delphi (empresa de sistemas de injeção mecânica e eletrônica), destacou que a dificuldade de abastecimento a gás em todo o país favorece o investimento em veículos do tipo bicombustíveis, além da concentração do petróleo em poucos países e ao valor crescente da importação de diesel.

- Há uma evolução da produção doméstica de gás no Brasil, e o diesel não tem boa percepção pública do ponto de vista ambiental, apesar de cumprir a legislação vigente. Assim, o projeto bicombustível representa um risco pequeno para o investidor - avalia Verginelli, acrescentando que há cinco veículos em teste rodando em Campinas, além de outros em avaliação na Delphi.

Com cerca de 300 congressistas inscritos, a programação do 11º Congresso Mundial de GNV inclui painéis sobre regulação, geração de biogás e incentivo ao uso de crédito de carbono, entre outros. O evento conta também com uma exposição aberta ao público.