Encerradas as apostas para Selic

SÃO PAULO, 4 de junho de 2008 - As últimas apostas para o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foram fechadas e os analistas e economistas continuaram divididos entre um aumento de 0,50 e 0,75 ponto percentual para a Selic, fixada em 11,75% ao ano. No início da noite o colegiado do Banco Central (BC) anunciará o rumo dos juros da economia brasileira.

Para a economista-chefe da Arkhe DTVM, Inês Filipa, o colegiado do BC deve promover uma alta de 0,50 ponto da Selic. Para ela, o aumento nos juros já está dado como certo e isso já vem sendo sinalizado nas últimas atas do Copom decorrente da preocupação do comitê com a inflação dado o descompasso entre oferta e demanda interna.

Inês ressalta que apesar da economia brasileira está vivendo um momento positivo, principalmente, após duas importantes elevações de rating do país a grau de investimento, o foco do o BC é a meta inflacionária, ratificada em várias entrevistas dada pelo presidente do BC, Henrique Meirelles e, o fato das expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2009 ter superado pela primeira vez a meta (4,5% para 4,6%), conforme constatou o boletim Focus desta semana.

"Esses dados podem tornar a decisão do Copom mais difícil e suscetível a não uniformidade na votação ou uma postura mais agressiva do BC, elevando os juros em 0,75 ponto, "forçando" o mercado a revisar para dentro da meta a inflação de 2009, dando um choque de alta nos juros", friza a economista. Inês projeta para 2008 inflação de 5,57% e Selic em 14% ao ano.

Pela manhã, foi informado que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) acelerou para 1,23% em maio, ante 0,54% em abril, superando o teto das estimativas dos analistas. O grupo alimentação segue sendo o vilão da inflação, encerrando o mês com alta de 3,17%, maior taxa desde dezembro de 2002.

As projeções para os juros embutidos nos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) já precificaram um aumento de 0,75 ponto para a taxa Selic. O contrato de DI de julho que projeta a taxa Selic deste mês subiu de 12,08% para 12,11%. Este papel teve 404,2 mil contratos fechados e giro de R$ 40 bilhões na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).

No front externo, a melhora de humor no exterior foi patrocinada pela queda no preço do petróleo e pelos dados do mercado de trabalho que voltou a crescer em maio. O setor privado dos Estados Unidos criou 40 mil postos de trabalho em abril quando comparado com o mês anterior, surpreendendo positivamente o mercado que esperava o fechamento de 30 mil postos de trabalho.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)